Greve no Ipen interrompe produção de insumos da medicina nuclear
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O fornecimento de radiofármacos importantes para a medicina nuclear foi parcialmente interrompido no Brasil devido ao estado de greve de técnicos do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen), principal fornecedor do país. A greve foi iniciada nesta segunda-feira (18) por conta de impasses salariais dos cerca de 300 técnicos do instituto, que pertence ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações. Segundo a Agência Brasil, as gratificações que correspondem a cerca de 30% dos salários dos técnicos não foram incluídas no pacote de projetos de lei de reajuste de salários dos servidores, aprovado pelo Senado na terça-feira (12), o que causou descontentamento entre os técnicos. O superintendente do Ipen, José Carlos Bressiani, afirmou que a não inclusão da tabela de gratificações foi um erro que será corrigido em breve. "Está marcada uma reunião com o governo hoje e amanhã para definir como será feita a inclusão dessa tabela, mas é preciso encontrar a forma burocrática que permita fazer isso, pois o presidente pode vetar ou aprovar, mas não pode modificar a lei", comentou. Uma nova assembleia da categoria está marcada para esta quinta com o objetivo de definir se a categoria deve encerrar a paralisação. Um dos fornecimentos interrompidos é o do radioisótopo O Flúor-18, matéria-prima para realização de um dos mais importantes exames diagnósticos de cânceres, o PET-CT. Como o Flúor-18 tem duração somente de duas horas, não é possível armazená-lo em clínicas e hospitais. Bressiani lamentou que a paralisação afete principalmente usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). "Hoje já deixamos de entregar o Flúor-18 para cerca de quatro hospitais e os demais radiofármacos estão sendo entregues com algum atraso. É chato, porque são pacientes, que marcaram o exame há dois, três meses e não poderão ser atendidos por falta de material". Atualmente o IPEN comercializa produtos para 430 clínicas e hospitais de medicina nuclear, sendo um terço deste material consumido pelo SUS. Além do Ipen, a produção de radiofármacos também é feita no Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte, em unidades ligadas ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Comunicação (MCTIC).
