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Cientista aponta que minicérebros podem ajudar na busca de tratamento contra zika

Cientista aponta que minicérebros podem ajudar na busca de tratamento contra zika
Foto: Cristina Índio do Brasil/ Agência Brasil
O uso dos minicérebros criados em laboratório - que serviu para a comprovação de que havia uma relação entre a infecção por Zika e a microcefalia - é um bom modelo para buscar medicamentos para o tratamento de mulheres grávidas, mas precisa avançar. A avaliação é de Stevens Rehen, professor titular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ), pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e coordenador do Projeto de Criação do Biobanco de Células-Tronco de Pluripotência Induzida (iPS) do Ministério da Saúde. Rehen é um dos responsáveis pela pesquisa que comprovou a relação entre o Zika e a microcefalia. Em entrevista à Agência Brasil, o professor informou que os minicérebros funcionam como avatares, que são resultado da transformação de uma célula da pele em uma outra que pode virar qualquer tecido do corpo. "A partir desta reprogramação, a gente cria uma célula que pode virar qualquer tecido e aí a gente instrui esta célula para se transformar nessas estruturas tridimensionais, que têm em torno de 2 milímetros, mas que se desenvolvem como se fossem um cérebro fetal de 2 meses de idade. Com isso, abre uma série de possibilidades para entender como se forma o cérebro humano para estudar doenças". O cientista afirmou ainda que a pesquisa é consequência de uma capacidade instalada no Rio de Janeiro, alcançada após investimentos do governo nos últimos 10 anos, mas se mostrou preocupado com a continuidade dos trabalhos. "Hoje é um problema para a gente, porque existe uma insegurança em relação ao futuro da pesquisa, com a questão da fusão do ministério e outras questões que nos deixam inseguros. Ela foi feita em 25 dias, entre o começo da pesquisa e a publicação para a revista Science, mas isso é porque a gente já tinha a faca e o queijo na mão", contou. O cientista apontou que, no futuro, o tratamento de células com o uso de outras células produzidas a partir de partes do próprio paciente poderá ser usado contra o câncer.