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Situação de serviço de diálise na RMS é ‘crítica’: ‘Pessoas aguardam sem ter para onde ir’

Por Estela Marques

Situação de serviço de diálise na RMS é ‘crítica’: ‘Pessoas aguardam sem ter para onde ir’
Foto: Reprodução / Coren-BA
Esta quinta-feira (10) é o Dia Mundial do Rim, mas talvez não haja muito o que comemorar. A lista de espera para uma vaga em clínicas que oferecem o serviço de hemodiálise em Salvador e Região Metropolitana é de 80 pacientes. Além disso, chega a dois mil o número de pacientes crônicos que já estão em tratamento, que ainda dependem das 11 clínicas que oferecem o serviço. Os dados foram repassados ao Bahia Notícias pela dra. Danusa Pamplona, presidente da Comissão Estadual de Nefrologia. “É preciso ter mais vagas para poder atender esses pacientes. O número de crônicos cresce a cada ano”, afirmou. A situação atinge os pacientes, individualmente, mas também reflete no atendimento à população, já que aqueles que estão na fila de espera ainda não receberam alta médica e continuam ocupando leitos das emergências hospitalares. “Existe um número de vagas disponíveis. Quando paciente está em qualquer unidade de emergência ou em período pré-dialítico, o médico faz um relatório e manda para a central, onde tem número de pacientes aguardando. Caso as unidades estejam lotadas, elas não têm como receber pacientes”, explica a dra. Cássia Matos, diretora médica do Instituto de Nefrologia e Diálise e membro da Sociedade Brasileira de Nefrologia. “A situação de Salvador é extremamente desconfortável. Tem um número enorme de pessoas aguardando na fila, sem ter para onde ir, o serviço ambulatorial para dialisar está em uma situação crítica, o que causa um problema ainda maior na saúde pública. Esses hospitais ficam abarrotados de pacientes que não têm como fazer diálise”, acrescenta.
 

Foto: Divulgação
 
Toda a situação se agravou nos últimos dois anos, quando duas unidades que oferecem o tratamento foram fechadas: a do Hospital Espanhol e a do Hospital das Clínicas (esta, temporariamente para reforma). Nesse período, nenhuma unidade foi criada ou ampliada para compensar as perdas, ao passo que o número de pacientes só cresce. De acordo com as especialistas, gestores estaduais e municipais estão a par da situação e têm feito movimentos para contornar o problema, mas emperram no congelamento da tabela de reembolso do Ministério da Saúde – que não é reajustada desde 2013 – e pela disparada do dólar, moeda na qual são comprados os materiais do tratamento. “Alguns serviços entraram em falência e outros estão com dificuldade e não têm condições de ampliar o número de leitos”, acrescentou. Cássia acrescentou que a modalidade de diálise feita em casa, a diálise peritaneal, também sofre os reflexos do congelamento do repasse e impacta na situação das clínicas que oferecem o serviço. “Duas empresas fazem distribuição do material para o Brasil inteiro, entretanto, essas empresas já fecharam a admissão de novos pacientes no programa por falta de um reajuste na tabela. Eles garantem o material de quem está no programa, mas que não está não consegue entrar. Isso estrangula o sistema”, concluiu.