Pesquisadores usam radiação para combate ao Aedes aegypti em Fernando de Noronha
Foto: Betina Carcuchinski/ PMPA
Com o objetivo de tornar os machos do Aedes aegypti incapazes de se reproduzir, pesquisadores da Fundação Owaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) começaram a utilizar raios gama - um tipo de radiação eletromagnética - na ilha de Fernando de Noronha. Financiado pelo Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS) e pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), o estudo teve início em 2013, motivado pela incidência cada vez maior de casos de dengue no país. "Em fevereiro, devemos saber se os resultados obtidos em condições simuladas se reproduzem em campo real para então fazer a expansão do projeto para todas as vilas, englobar a ilha como um todo, e, de posse desses resultados, o Ministério da Saúde decide se isso poderá ser aplicado no contexto de outros estados e municípios no Brasil", explicou a pesquisadora da Fiocruz Alice Varjal, coordenadora do projeto, em entrevista à Agência Brasil. A região de Fernando de Noronha foi escolhida para a pesquisa por ter uma base de dados científica ampla e por ser isolada do continente, o que significa menor interação das espécies presentes no arquipélago com fatores externos, característica que aumenta a precisão dos resultados. Além disso, na ilha não é permitido qualquer tipo de método artificial de combate ao mosquito, segundo a pesquisadora. "Fernando de Noronha é uma área de proteção ambiental, onde muitos dos métodos, sobretudo de controle químico, não podem ser empregados para que não haja impacto sobre espécies não-alvo. Por ser uma tecnologia limpa ambientalmente, que não gera resido químico, tóxico, é indicada nesse caso".
