Jornalista com microcefalia desabafa sobre discussão de aborto: 'me senti ofendida'
Foto: Reprodução/ BBC
Com a notícia de que o aumento dos casos de microcefalia poderia levantar a discussão sobre aborto legal, uma jornalista de 24 anos decidiu dar seu depoimento sobre o assunto. Ana Carolina Cáceres é moradora de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e superou todas as expectativas sobre seu futuro. No dia de seu nascimento, ao diagnosticá-la com microcefalia, o médico afirmou que ela não teria chance de sobreviver. "Quando li a reportagem sobre a ação que pede a liberação do aborto em caso de microcefalia no Supremo Tribunal Federal (STF), levei para o lado pessoal. Me senti ofendida. Me senti atacada", afirmou em depoimento à BBC. "No dia em que nasci, o médico falou que eu não teria nenhuma chance de sobreviver. Tenho microcefalia, meu crânio é menor que a média. O doutor falou: 'ela não vai andar, não vai falar e, com o tempo, entrará em um estado vegetativo até morrer'".

Ana Carolina contou ainda que escolheu o jornalismo como profissão pela possibilidade de dar voz a pessoas, como ela, que não se sentem representadas. "Com a explosão de casos no Brasil, a necessidade de informação é ainda mais importante e tem muita gente precisando superar preconceitos e se informar mais. O ministro da Saúde, por exemplo. Ele disse que o Brasil terá uma 'geração de sequelados' por causa da microcefalia. Se estivesse na frente dele, eu diria: 'Meu filho, mais sequelada que a sua frase não dá para ser, não'", criticou. A jovem disse entender que a microcefalia pode levar a consequências muito maiores que as vivenciadas por ela, mas "não é esse bicho de sete cabeças". "Se ainda assim houver pais que preferirem abortar, não posso interferir. Acho que a escolha é deles. Só não dá para fazê-la sem o mais importante: informação".
