Médicos investigam lesões oculares em recém-nascidos por causa do Zika vírus
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Pesquisadores brasileiros investigam a ocorrência de lesões na retina e no nervo óptico, que podem causar perda de visão, em bebês com microcefalia associada ao zika vírus. Em estudo divulgado na revista científica The Lancet nesta quinta-feira (7), cientistas da Fundação Altino Ventura, do Hospital dos Olhos de Pernambuco (HOPE) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descrevem uma associação entre a infecção de mulheres grávidas pelo vírus e a descoberta das lesões nos recém-nascidos. O trabalho descreve os casos de três bebês com microcefalia que manifestaram distúrbio pigmental da retina (parte do olho responsável pela formação de imagens) e diferentes graus de atrofia da retina, da coroide (estrutura que absorve a luz) e do nervo óptico, que podem causar perda total ou diminuição da visão. De acordo com o oftalmologista Rubens Belfort Junior, professor da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp, é a primeira vez em que lesões oculares associadas à zika são descritas em recém-nascidos. "Mas também estamos examinando as mães para ter certeza de que elas não tinham alguma deficiência visual que o bebê pudesse ter herdado", disse em entrevista a BBC Brasil. Para Belfort, os exames também podem revelar se o zika vírus estaria causando problemas visuais mesmo em bebês que não tiveram a microcefalia. O caso brasileiro é o primeiro no mundo que associa o vírus à ocorrência de microcefalia em bebês. Por isso, casos como estes ainda não estão presentes na literatura científica sobre a doença e suas consequências.
