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População ruiva sente mais dor de dente e tem maior resistência a analgésicos

População ruiva sente mais dor de dente e tem maior resistência a analgésicos
Foto: Reprodução/ Ruivos Mania
Se consultas a dentistas não são as preferidas de muita gente, para a população ruiva, essa resistência tende a ser ainda maior. Isso porque, de acordo com um estudo publicado no The Journal of the American Dental Association, um fator genético faz com que os ruivos sejam mais sensíveis à dor e mais resistentes à anestesia. A pesquisa explica que os ruivos têm uma mutação genética no receptor do gene Melanocortina-1 (MC1R), que é responsável pela produção de melanina. Dessa forma, eles produzem pouca eumelanina (cor preta e marrom) e mais feomelanina (cor vermelha ou alaranjada), característica chamada de rutilismo. "A explicação mais aceita é a presença desses receptores MC1R na área do cérebro responsável pela dor, tornando os ruivos mais sensíveis a dor e mais resistentes à anestesia", explica Celso Lemos, professor de Estomatologia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP).
 
O mesmo estudo constatou que, em decorrência da dor, os ruivos têm duas vezes mais chances de evitar consultas ao dentista. No entanto, eles não são imunes aos anestésicos, apenas precisam de uma quantidade maior e de mais tempo para surtir o efeito. Para o professor, o profissional pode ajudar a tornar a consulta mais agradável. "O cirurgião-dentista pode planejar o tratamento do paciente em consultas mais curtas e racionalizar o uso de anestésicos, escolhendo aqueles de duração mais prolongadas e com anestesia mais profunda", comenta. Ainda assim, a prevenção é a melhor solução para que o medo não se torne prejudicial à saúde bucal. "Nas gerações mais jovens, cada vez menos são necessários grandes procedimentos reabilitadores que necessitam de muitas consultas e anestesia, com exceção das exodontias dos terceiros molares (extração do siso) bastante comum em pacientes jovens", afirma. Lemos acrescenta que hábitos de higiene corretos e visitas regulares ao dentista resultarão em uma menor ou nenhuma necessidade de uso de analgésicos, pois procedimentos preventivos não precisam de anestesia.