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Microcefalia: Especialistas concordam que nordestinas devem adiar gravidez

Microcefalia: Especialistas concordam que nordestinas devem adiar gravidez
Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil
O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, recomendou
na última sexta-feira (13) que as mulheres de Pernambuco não engravidem no momento devido ao estado declarado de emergência sanitária nacional. Para alguns especialistas, o conselho é prudente devido ao alto índice de crianças com microcefalia no estado. "Quem estiver planejando uma gravidez e puder esperar um ou dois meses até que descubramos a causa desse surto estaria agindo de forma prudente", afirmou a neuropediatra Vanessa Van der Linden ao jornal O Globo. "Mas é claro que é uma decisão pessoal. Não tem como a gente dizer 'engravide' ou 'não engravide'. Para fazerem a sua escolha, o importante é que essas mulheres tenham dados à mão, saibam onde a doença está se manifestando com maior frequência, quais são as possíveis causas, como as investigações estão avançando. Só assim poderão avaliar os riscos e decidir". Vanessa e sua mãe, a também médica Ana Van der Liden, estiveram diretamente envolvidas na investigação sobre o atual problema. "Ainda no início de outubro, entramos em contato com outros médicos, de diferentes hospitais, e observamos que o aumento extraordinário dos casos era, e é, um problema generalizado. Então acionamos a Secretaria estadual de Saúde e o ministério", contou. O infectologista Kleber Luz, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), segundo estado mais afetado pelo surto, também concorda com a recomendação. "Não tem nada que nos faça acreditar que esse fenômeno vai parar de uma hora para outra. Para quem puder esperar para engravidar, essa seria uma medida salutar", disse. "Os médicos, em geral, não têm experiência para lidar com isso, justamente porque se trata de uma doença que raramente encontramos. A hidrocefalia é comum para nós, mas a microcefalia, não".