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Caso raro de homem morto após câncer formado por células de verme intriga médicos

Caso raro de homem morto após câncer formado por células de verme intriga médicos
Foto: Reprodução
Um homem de 41 anos, portador de HIV, que morreu com tumores formados por tecidos cancerígenos de um verme, tem intrigado o meio científico. De acordo com os médicos, o crescimento do câncer-parasita teria sido potencializado pelo frágil sistema imunológico do paciente. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos (CDC) e o Museu de História Natural do Reino Unido fizeram uma parceria para chegar ao diagnóstico do evento considerado raro. "Esse foi o caso mais incomum, me deixou acordado várias noites. Era para ser uma decisão óbvia entre câncer ou uma infecção, mas não conseguir distinguir isso por meses foi muito incomum", disse o médico Atis Muehlenbachs, sobre os tumores aparentemente normais que estavam nos pulmões, fígado e outros órgãos do paciente e que ao final, com avaliação detalhada, foram diagnosticados como câncer. Quando os cientistas conseguiram descobrir o DNA da Hymenolepis nana, também conhecida como tênia­-anã, causadora dos tumores, o estado de saúde do homem já era grave, e ele acabou morrendo, três dias depois. Os cientistas acreditam que um dos ovos que são expelidos aos milhares, cada dia, pelo verme, teria penetrado o intestino do paciente, passando por uma mutação que o tornou cancerígeno. "Elas (as células) estavam se dividindo e proliferando de forma descontrolada e é isso que define um câncer. Eram células de um tumor de parasita", disse Peter Olson, do Museu de História Natural. Para Mel Greaves, diretor do centro de evolução e câncer do Instituto de Pesquisa de Câncer de Londres, "O que é mais atípico é que são células livres do parasita crescendo de uma forma semelhante ao câncer em vez de o verme inteiro. Espécies de quase todo filo dos invertebrados podem desenvolver câncer e este potencial parece inerente às células animais, e principalmente a células-tronco de animais multicelulares. O que esse caso mostrou é que uma combinação de circunstâncias excepcionais permitiu que esse potencial fosse expresso em um hospedeiro estrangeiro". Estima-se que até 75 milhões de pessoas são infectadas pelo verme e os médicos orientam que as pessoas lavem bem as mãos e cozinhem legumes para evitar o contato com o parasita.