Com pouca intimidade com a Saúde, novo ministro assume a pasta
Foto: Agência Brasil/ EBC
Formado em medicina psiquiátrica, deputado federal há cinco legislaturas, empresário da agropecuária, ex-secretário de Agricultura do Piauí e professor aposentado da Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde atuou como professor de física. Este é o currículo do mais novo comandante da pasta que possui o maior orçamento da Esplanada dos Ministérios, a Saúde, Marcelo Castro. Apesar da formação em medicina, esta é a única ligação do recém-indicado ministro com a pasta que comandará. Com cinco mandatos como deputado federal, sua intimidade mesmo é com o Plenário da Câmara dos Deputados. Piauiense do município de São Raimundo Nonato, na Serra da Capivara, no Piauí, e integrante de um poderoso e tradicional clã de políticos da região, Castro assume, aos 65 anos, a cadeira de Arthur Chioro, que acabou rodando da pasta na reforma ministerial anunciada por Dilma Rousseff na última sexta-feira (2). De acordo com a Folha de S. Paulo, o novo chefe da Saúde, bem longe de figurar entre os caciques do PMDB, foi alçado ao posto após retomar suas relações com o presidente da Câmara dos Deputados, o peemedebista Eduardo Cunha. Os dois romperam após Castro resolver enfrentar Cunha e não ceder para incluir em seu relatório da proposta de reforma política o modelo de "distritão" para a eleição de deputados. Desafiado, o presidente da Casa boicotou o parecer de Castro, o classificou como de “pouca inteligência política”, e realizou uma manobra para levar outra proposta à votação, dando início a uma série de trocas públicas de críticas entre os dois. O novo ministro da Saúde foi cotado há oito anos para assumir a pasta no governo Lula. Em 2011, uma reportagem da Folha revelou que a empreiteira Jurema, que pertence aos irmãos do deputado, obteve R$ 36 milhões do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em 2010. O superintendente do órgão na época era um cunhado de Castro, Sebastião Ribeiro. Passados quatro anos, a empresa, segundo o Portal da Transparência, ainda continua recebendo milhões do governo federal. A Jurema recebeu R$ 34,9 milhões este ano; 164,6 milhões em 2014; R$ 42,3 milhões em 2013 e R$ 4,7 milhões em 2012. A construtora foi uma das empresas que mais doaram para Castro nas últimas eleições, no total de R$ 50,4 mil. A assessoria de Castro afirmou que o parlamentar não possui qualquer participação na construtora Jurema e que todos os contratos da empresa com o governo federal foram firmados por meio de licitações e concorrências públicas. O patrimônio do novo ministro da Saúde também cresceu desde 2010. Na época, ele declarou à Receita Federal ter R$ 835,3 mil em bens, enquanto informou possuir R$ 1,3 milhão, nas eleições de 2014. A assessoria afirma que a alta é compatível com os rendimentos do deputado, levando em consideração seu salário na Câmara e os ganhos através de sua atividade agropecuária, e que tudo foi declarado à Receita Federal.
