Doença feminina, LAM tem difícil diagnóstico e não conta com tratamento pelo SUS
Problema afeta os pulmões | Foto: Getty Images
Uma doença rara e basicamente feminina, a linfangioleiomiomatose, mais conhecida como LAM, não é facilmente diagnosticada e tem sintomas muito parecidos com os de outras doenças pulmonares, como asma, bronquite e enfisema. Segundo o pneumologista Bruno Baldi, do Hospital das Clínicas, em São Paulo, até seus colegas de especialidade muitas vezes têm dificuldade para perceber o quadro. Em entrevista à Agência Brasil, o especialista explicou que a LAM é um tumor de multiplicação lenta, que atinge principalmente mulheres na faixa etária de 20 a 30 anos. "Em quem tem LAM ocorre uma multiplicação de células diferentes, que leva à obstrução e lesão do pulmão e, eventualmente, pode estar associada a lesões em outros órgãos". De acordo com Baldi, a estimativa é que entre 400 e 500 mulheres sejam portadoras de doenças no Brasil. Em alguns casos, a paciente precisa apenas controlar a doenças, com exames a cada seis meses. Em outros, no entanto, a doença inabilita até para atividades rotineiras, como tomar banho. Segundo Baldi, referência no tratamento, cerca de 30% das pacientes precisam de medicação, enquanto as demais apenas fazem controle semestral. A bióloga Verônica Borges, vice-presidente da Associação LAM do Brasil (Alambra) e portadora da doença, afirmou que as pacientes que precisam de medicamentos muitas vezes não conseguem pela rede pública, já que a doença não tem protocolo específico. Em nota, o Ministério da Saúde informou que o medicamento precisa ter a eficácia comprovada para o tratamento da LAM, antes de ser disponibilizado para o tratamento da doença e que essa avaliação deve ser feita pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, o que não foi feito nesse caso.
