Diagnóstico do câncer é tardio e tratamento é insuficiente no Brasil, aponta relatório
Foto: Reprodução/Randy Bacon
Cerca de 60% dos casos de câncer são diagnosticados tardiamente no Brasil e, com o câncer de pulmão, 87,9% são descobertos já em estágio avançado. O diagnóstico tardio da doença é uma das principais dificuldades enfrentadas pelos brasileiros no acesso ao tratamento, seja pela falta de unidades hospitalares especializadas, pelas longas esperas para consultas com especialistas ou pela demora na realização de exames. Estas situações são reveladas por dados compilados por cerca de 50 entidades brasileiras de combate ao câncer, organizados pelo movimento Todos Contra o Câncer e divulgados em forma de relatório pelo Ministério da Saúde na última segunda-feira (27). Segundo o site Uol, o documento mostra que o tempo médio de espera entre o diagnóstico e o início dos tratamentos com quimioterapia e radioterapia é de 76,3 e 113,4 dias, respectivamente. Este período de espera contraria uma lei de 2012, que assegura o início do tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) de pacientes com câncer em um prazo de até 60 dias após o diagnóstico com laudo patológico. Segundo uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar a Política Nacional de Atenção Oncológica, somente 65,9% da demanda por radioterapia foi atendida no Brasil em 2010. "A área de oncologia tem despertado grandes preocupações devido ao crescente impacto econômico, sobretudo em função do diagnóstico tardio (...) que onera o SUS com despesas que poderiam ser evitadas com a prevenção ou diagnóstico precoce", estabelece o relatório. O diagnóstico tardio e o atendimento falho são problemas que, segundo o relatório, acarretam em um aumento na mortalidade por câncer no país, além de um maior gasto com repetidas internações, necessidade de procedimentos e medicamentos de alta complexidade e atualização constante dos valores pagos por serviços médicos. Outro problema apontado pelo documento é a demora na aprovação de protocolos de pesquisa, novos medicamentos e de novas terapias, apesar de avanços recentes como no caso da criação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), em 2011. "O número de análises e aprovações aumentaram consideravelmente desde 2012, mas o número de processos indeferidos ainda é bastante elevado, tendo como alegação a falta de comprovação científica e de eficácia", pontua o relatório. O câncer é atualmente a segunda principal causa de morte no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Em 2012, foram 191.577 óbitos por câncer, de acordo dados do Ministério da Saúde. Quanto à incidência, em seu último levantamento em 2014, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimou 576.580 novos casos da doença, sendo 302.350 em homens e 274.230 em mulheres.
