Testes com “sangue de laboratório” em humanos devem acontecer em até dois anos
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Cientistas das universidades britânicas de Bristol, Cambridge e Oxford afirmaram que devem ocorrer em dentro de dois anos as primeiras tentativas de injetar sangue produzido em laboratório em voluntários humanos. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25) pelo Serviço Nacional de Saúde Britânico (NHS, na sigla em inglês). Um ensaio clínico de glóbulos vermelhos artificiais ocorrerá antes de 2017 como parte de um programa de pesquisa de cinco anos. O denominado “sangue sintético” é composto por células-tronco obtidas através do cordão umbilical de recém-nascidos ou do sangue de doadores adultos. O teste, que possui o objetivo de criar células vermelhas para pacientes com tipos sanguíneos complexos, vai envolver pequenas transfusões de algumas colheres de chá de sangue sintético para testar reações adversas. Isto fará com que os cientistas estudem o tempo que as células vermelhas criadas em laboratórios podem sobreviver em receptores humanos. O que se espera é que, com o tempo, o serviço de saúde inglês possa produzir quantidades ilimitadas de glóbulos vermelhos para transfusões de emergência. Entretanto, o objetivo momentâneo é a fabricação de doações especializadas para pacientes que sofram de doenças sanguíneas, como anemia falciforme e talassemia, que levam a quadros nos quais se tornam necessárias transfusões regulares. Já que as células fabricadas nunca passaram pelo corpo humano, a vantagem é que são livres de infecções, sem que haja risco de transmissão de vírus como HIV ou hepatite. “Estes ensaios vão comparar células manufaturadas com sangue doado. A intenção não é substituir a doação de sangue, mas fornecer tratamento especializado para grupos específicos de pacientes”, afirma Nick Watkins, diretor-assistente de pesquisa e desenvolvimento de Sangue e Transplante da NHS. Ainda de acordo com Watkins, os testes em humanos envolverão inicialmente transfusões de glóbulos vermelhos fabricados a partir das células-tronco de doadores adultos. Se elas forem bem sucedidas, os testes seguirão com transfusões de glóbulos vermelhos feitos a partir de células-tronco do sangue do cordão umbilical extraído com consentimento de mães. Verificações já mostraram que os glóbulos vermelhos fabricados “são comparáveis, se não idênticos” às células vermelhas comuns do sangue que são produzidas pelo corpo de pessoas saudáveis.
