Vacina contra malária chega à fase final de testes, com 30% de proteção
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Os testes de uma vacina contra a malária, que está em fase final, produziram resultados animadores, mas também apresentam um desapontamento com o grau de efetividade aquém do ideal. Nos experimentos, a droga RTS,S/AS01 ofereceu proteção parcial a um grupo de 16 mil crianças de sete países africanos. De acordo com os autores da pesquisa, publicado na revista científica britânica The Lancet, a vacina foi efetiva em bebês de até três meses de idade. Mais de 500 mil crianças morreram no mundo em decorrência da malária, sendo uma a cada minuto. No Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de casos de malária tem diminuído. Em 2014, foram registrados 178 mil casos, que levaram à 41 mortes. Apesar do desempenho limitado, os cientistas salientaram que a droga é a vacina estágio clínico mais avançado disponível. "O desenvolvimento desta vacina continua sendo importante", disse o coordenador do grupo de trabalho sobre malária da organização Médicos Sem Fronteiras, Martin de Smet. O especialista diz que, mesmo que a vacina ofereça 30% de proteção, em números reais, representa uma contribuição significativa para o controle da malária. No entanto, ele disse que os resultados ainda são "desapontadores". "Tínhamos muita expectativa em relação a essa vacina e o nível de proteção que ela proveria. Está sem dúvida abaixo do que esperávamos”. Quase nove mil crianças entre cinco e 17 meses de idade e 6,5 mil bebês entre seis e 12 semanas receberam a vacina em sete países africanos (Burkina Faso, Gabão, Gana, Quênia, Malauí, Moçambique e Tanzânia) entre março de 2009 e janeiro de 2011. Elas foram acompanhadas até o início de 2014. Segundo os dados publicados no Lancet, a droga protegeu um terço das crianças vacinadas no experimento. A doença é transmitida pela picada de mosquito. Atualmente não existe nenhuma vacina aprovada contra a doença. O parasita da malária tem um ciclo de vida complexo e ao longo dos séculos aprendeu a resistir ao sistema imunológico humano. A agência europeia de medicina vai revisar os dados e, se for aprovada, a vacina poderia receber autorização para produção comercial. A Organização Mundial da Saúde pode recomendar seu uso em outubro.
