Doações de tecido ósseo para transplante diminuem este ano
Camada externa do tecido ósseo (osso compacto) / Foto: Reprodução
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) registrou, este ano, apenas uma doação de ossos no Rio de Janeiro. A média do ano passado para o mesmo período foi cinco captações ósseas. De acordo com o coordenador de Projetos Especiais do Into, Tito Rocha, no ano passado foram feitas 27 doações de pacientes mortos, autorizadas pelas famílias, que beneficiaram 478 pessoas em cirurgias ortopédicas e odontológicas. Cada doação pode beneficiar até 30 pessoas. As informações são da Agência Brasil.
Rocha alerta que, com o aumento das cirurgias de enxerto ósseo, está ficando difícil atender à demanda dos 40 hospitais cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes em 11 estados, que recorrem ao Into para conseguir tecidos musculoesqueléticos. Se não forem feitas captações em curto prazo, pode faltar tecido para as cirurgias.
“A gente passa por problemas de captação de ossos todos os anos, temos uma demanda grande e captamos sempre menos do que a demanda. Este ano está pior, não sabemos exatamente por que. Seguindo a média do ano passado a gente deveria ter cinco captações e, com apenas uma e a demanda crescente que a cirurgia ortopédica no Brasil tem em relação a tecido ósseo, o nosso banco de tecido está ficando desabastecido, estamos projetando que, no futuro, vamos ter mais problemas do que temos hoje”, explica.
O coordenador do Into esclarece o fato de cada doação poder beneficiar até 30 pessoas que sofrem de doenças como artrose, câncer e fraturas e que, por isso, necessitam de enxerto.
Assim como em toda doação de órgãos, a pessoa deve conversar com a família sobre a intenção de ser doadora, pois algum parente precisa autorizar a captação após a confirmação da morte cerebral. Podem ser retirados o fêmur, a tíbia, o úmero e parte do quadril, que são substituídos por material sintético para manter a forma e a aparência do doador.
