Tratamentos experimentais contra o ebola podem ser prejudicados por mutações do vírus
Foto: Reprodução
As mutações da cepa do vírus Ebola podem representar um ameaça aos tratamentos experimentais para a doença, focados em certos genes de agentes patogênicos. É o que diz o um estudo de virologistas americanos publicado nesta terça-feira (20). De acordo com a AFP, Os pesquisadores do trabalho publicado on-line na revista Bio da Sociedade americana de microbiologia (ASM), explicaram que a maioria dos tratamentos desenvolvidos contra o vírus Ebola se dirige a uma parte da sequência genética ou a uma proteína derivada desta sequência do genoma do vírus. Se uma modificação destas sequências ocorrer como resultado de uma mutação genética, que é uma evolução natural do vírus com o tempo, o tratamento pode ser ineficaz, isso comprometeria todo o trabalho. Em comparação com o genoma completo da cepa responsável pela epidemia que se originou no Zaire (hoje República Democrática do Congo) em 1976, chamada EBOV/Yam-Mayet, e que provocou uma segunda epidemia no país em 1995 (EBOV/Kik), os cientistas detectaram as mutações em aproximadamente 3% do genoma. A epidemia atual, por sua vez, é denominada EBOV/Mak. Os tratamentos genéticos oferecem atualmente a melhor esperança para lutar contra o Ebola, mas nenhum foi aprovado pela agência americana de alimentos e medicamentos (FDA) nem por seu homólogo europeu. Como a Organização Mundial de Saúde (OMS) adotou medidas de urgência para tentar conter a epidemia atualmente concentrada em Guiné, Serra Leoa e Libéria (Países que apresentam a maior quantidade de casos) um pequeno grupo de pacientes foi tratado com terapias experimentais. Os virologistas descobriram que dez das mutações podem interferir com promissores anticorpos monoclonais que estimulam o sistema imunológico. "O vírus Ebola não apenas sofreu mutação após a descoberta destas terapias, mas também continua mudando", ressaltou o capitão Jeffrey Kugelman, um geneticista da USAMRIID, e um dos autores da descoberta. Três das mutações apareceram durante o atual surto, disse. Um teste clínico com um dos tratamentos deve começar em Serra Leoa nos próximos meses na busca de conter essa epidemia que já deixou 8.820 mortos dos mais de 22.000 casos registrados, segundo balanço da OMS.
