Casos de malária aumentam na África por conta da epidemia de ebola
Foto: Jerome Delay / AP
O surto de ebola na África Ocidental se tornou tão grave que acabou tirando a atenção de outras doenças comuns na região e que precisam ser combatidas. A campanha de prevenção e tratamento da malária ficou de lado para dar espaço ao combate à epidemia de ebola. As duas doenças têm sintomas similares, como febre e dores musculares. Mas enquanto a malária é transmitida pela picada de mosquitos infectados, o ebola só pode ser contraído pelo contato com fluidos corporais de doentes. Especialistas temem um aumento sem precedentes de malária na região, e alertam que q doença mata muito mais naquela área do que o letal vírus da febre hemorrágica. Somente no ano passado, a malária matou 584 mil pessoas na África, a maioria crianças. Apesar de não existir vacina para a doença, há medidas de preveni-la e tratá-la. Por isso as campanhas de prevenção são tão importantes. Desde o início deste ano foram registrados 19.497 casos de ebola, com 7.588 mortes, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo informações do portal O Globo, na tentativa de evitar a transmissão de ebola os médicos pararam de fazer testes de sangue para malária. Outro fato que preocupa as autoridades de saúde é que as pessoas deixaram de ir aos centros de saúde para tratar qualquer doença com medo de pegar o vírus ebola. A frágil infraestrutura de saúde dos países de Guiné, Serra Leoa e Libéria também contribui para que não haja instalações, ou mesmo mão de obra disponível para lidar com diferentes problemas ao mesmo tempo. Bernard Nahlen, vice-diretor da Iniciativa Malária, da Presidência dos EUA, disse que houve uma queda de 40% nos registros oficiais da doença, porque ninguém mais vai aos centros de saúde ou busca tratamento para outras doenças. “Seria um erro enorme, para todos os envolvidos, que, no meio de uma epidemia de ebola, começasse a morrer muita gente por malária” afirmou Nahlen. Os números são estimados na Guiné, onde metade dos 12 milhões de habitantes não tem acesso a centros de saúde e morrem sem ser contados. Cerca de 15 mil teriam morrido em 2013 vítimas de malária; 14 mil deles crianças menores de 5 anos, segundo a ONG africana Redes para a Vida.
