Manassés e Isidório: modelos distintos de combate ao vício rendem vaga na Assembleia
Por Bruna Castelo Branco
Fotos: Reprodução
“Ô pessoal, desculpa estar atrapalhando o silêncio da viagem de vocês”. Que morador de Salvador – e possivelmente de várias outras cidades brasileiras – nunca ouviu algo semelhante ao entrar em um ônibus coletivo? Com um dos focos do aumento da violência nos grandes centros sendo justificado pela ampliação do número de pessoas vitimadas pelo álcool e pelas drogas, dois deputados estaduais eleitos têm base programática relacionado ao combate ao vício: Pastor Sargento Isidório (PSC) e Manassés (PSB). Eles controlam duas instituições que adotam metodologias distintas para tratar viciados: a Instituição Manassés e a Fundação Dr. Jesus. O Bahia Notícias levantou alguns dados sobre essas instituições e o tratamento oferecidos por elas.

Unidade Manassés em Lauro de Freitas

A Fundação Dr. Jesus tem três unidades em Candeias
Já a Fundação Dr. Jesus é um pouco diferente. Segundo Douglas Franco, coordenador geral da casa, há uma equipe multidisciplinar de profissionais disposta a atender os pacientes: oito psicólogos, dez assistentes sociais, três pedagogos, e três educadores físicos. Diferentemente da Manassés, a Dr. Jesus conta com auxílio de recursos do governo da Bahia e com a ajuda do fundador deputado Pastor Sargento Isidório, reeleito como o segundo mais votado. A fundação também não trabalha com medicamentos. “Não adianta usar droga em cima de outra droga. Ele não nasceu usando droga, então, caso eu use remédios vou drogar ele do mesmo jeito, trocar uma droga por outra. Tratamos com conversas, terapia. Caso ele chegue ao extremo, tenha uma crise de abstinência, o paciente é levado a uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e o psiquiatra diz se ele vai precisar”, explicou Franco. A Dr. Jesus se apresenta como totalmente gratuita, não é cobrada taxa de entrada. “A única coisa que cobramos é a vontade de querer mudar de vida”, garantiu o coordenador. A Dr. Jesus não permite que os seus pacientes saiam da casa, o tratamento funciona de maneira fechada. Caso o indivíduo saia, ele só tem permissão para voltar após três meses, e como “repetente”, segundo Douglas Franco. “Cada um recebe um cartão. A pessoa fica lá, não sai ninguém. Se sair, não volta mais, só depois de três meses”, comentou.

