FPIES: conheça mais sobre a doença que acomete centenas de crianças
A Síndrome da Enterocolite Induzida Por Proteína Alimentar (FPIES) é uma doença alérgica muito grave e que acomete, e até mata, centenas de crianças em todo o mundo. A doença, porém, ainda é pouco divulgada e há poucos registros na literatura médica. Sobre o assunto, Mônica Bellotto, 38 anos, fala sobre a história de sua filha Elis, que na primeira semana de vida teve que ser internada em uma UTI devido à doença. O depoimento de Mônica foi para uma reportagem do jornal A Folha de S. Paulo. Mônica disse que a filha, ao nascer, foi prontamente diagnosticada com hipoglicemia e levada à UTI. Alimentaram a recém-nascida com uma fórmula infantil e os médicos recomendaram que, mesmo depois de sair da UTI, a mãe continuasse mantendo a fórmula junto com o leite materno. Mas houve um problema: “No fim daquela noite, Elis regurgitou uma gosma verde, parecia grama ruminada. Meia hora depois, ela regurgitou bile novamente. A pediatra disse que era normal. Tivemos alta no dia seguinte sem nenhuma explicação”. Ao chegar em casa, porém, a mãe observou que os sintomas continuavam: Elis mamava e vomitava, e o mesmo acontecia com o leite artificial. Depois de três dias, notou-se que a criança tinha sangue nas fezes. A pediatra sugeriu que o problema se resumia a uma alergia a leite de vaca: “Minha filha urrava e se contorcia muito. Começou a vomitar sangue.” A criança foi levada novamente a UTI e precisou passar por uma cirurgia depois de ser constatada uma inflamação no estômago, porém nada mais foi constatado. A menina precisou passar por um tratamento de antibióticos e ser alimentada por um cateter. “Com menos de um mês, minha filha já tinha tomado mais antibiótico do que eu na minha vida toda”, relatou Mônica. A família continuou investigando, mas nada que havia na literatura médica se encaixava com os sintomas da filha: “A introdução de novos alimentos foi com muita cautela. Dava uma banana cozida durante cinco dias e esperava dois, dava pera cozida por cinco dias e esperava dois”. Depois de novas situações em que a menina teve que voltar ao hospital às correrias, Mônica levou a filha em uma gastropediatra que acertou o diagnóstico de FPIES. “Comecei a ler tudo o que encontrei, havia pouca coisa na literatura, mas relatos de mães de outros países eram muito parecidos com o caso da Elis. Só vai mudando o alimento envolvido. Abóbora, lentilhas, coco, melão. Coisas que ninguém nunca imaginou”, disse a mãe de Elis. A criança, que hoje tem dois anos, tem uma alimentação muito restrita, mas está se desenvolvendo de forma saudável. Mônica agora está engajada em alertar outras famílias sobre a FPIES: “Não quero que nenhuma mãe passe o que passei. A cicatriz que toma toda a barriga de Elis me faz lembrar os dias do terror que vivemos”. As informações são de reportagem da Folha de S. Paulo.