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Médicos expõem pacientes em redes sociais visando paqueras

Médicos expõem pacientes em redes sociais visando paqueras
Foto: Reprodução / Tinder
Os médicos e outros profissionais de saúde estão usando as redes sociais para registrar suas rotinas de trabalho, porém, frequentemente, expõem também os pacientes, muitas vezes em situações constrangedoras. É possível encontrar no aplicativo de paquera Tinder - onde os usuários exibem uma seleção de fotos para atrair a atenção do potencial pretendente - imagens de profissionais em procedimentos cirúrgicos, UTIs e outros ambientes hospitalares. "Colocar foto de jaleco e dentro do hospital é 'imã de mulher' no Tinder", diz um médico de 30 anos da rede pública de São Paulo que costuma usar o aplicativo. No programa de compartilhamento de fotos Instagram também existem exemplos de pacientes expostos. Como o aplicativo permite fazer uma busca por palavras-chaves e geolocalização, basta clicar no nome dos hospitais ou buscar termos médicos para encontrar as imagens.

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o registro de pacientes, identificando-os ou não, é irregular, e que a única situação em que o registro de pacientes é permitido é para fins científicos, como a exibição em congressos médicos, tendo a autorização do paciente e preservando sua imagem. "É proibido tirar essas fotos. Existe uma resolução bem rígida sobre o assunto", diz Emmanuel Fortes, coordenador do departamento de fiscalização do CFM.  O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) também veta imagens que não tenham fins científicos. "Profissionais denunciados e flagrados podem ser processados. As punições podem ser advertência, multa, censura e até cassação do direito de exercer a profissão", diz Antônio Marcos Freire Gomes, conselheiro da entidade.

Mesmo com o veto dos conselhos, o vazamento de imagens de pacientes é comum, inclusive em casos de grande repercussão. Circulam na rede fotos do menino que teve o braço atacado por um tigre no Paraná, antes e depois da amputação. A polícia de Cascavel (PR) disse que pretende investigar o vazamento das imagens. Também vazou um vídeo do jogador Neymar dando entrada no hospital pouco após se lesionar na Copa do Mundo, gravado por uma enfermeira que se identificava nas imagens e acabou sendo demitida depois. Preocupada com esses casos, a Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT) acaba de lançar uma campanha de conscientização entre médicos e demais profissionais. "É uma questão ética. Hoje todo mundo tem celular e câmera ao alcance da mão. É preciso reforçar as consequências da divulgação dessas imagens", diz Gustavo Fraga, presidente da SBAIT.