Aposentado completa 28 anos de hemodiálise; Expectativa de vida era de 5 anos
A Sociedade Americana de Medicina estima que 50% dos pacientes com falência renal crônica não sobreviva mais do que cinco anos. Mas Benevides Jacinto superou, e muito, essa marca e há 28 anos realiza sessões de hemodiálise – que filtram o sangue das impurezas que os rins não conseguem eliminar. "Já passou muita gente. Só eu fiquei", diz o metalúrgico aposentado. Segundo Lúcio Requião Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Nefrologia, o caso é raro. "Eu particularmente nunca vi alguém passar tanto tempo fazendo diálise”, conta. Jacinto foi diagnosticado aos 33 anos ao levar a filha, que estava gripada, a um pronto-socorro. "O médico olhou pra mim e perguntou: 'Que cor é essa [a pele estava amarelada]?'". Ele teve que aprender a restringir sua alimentação da forma correta. "O que chama a atenção aí é ele ter sobrevivido a uma época em que a tecnologia era inferior e a mortalidade era muito maior", diz Lilian Cuenca, nefrologista do hospital onde ele faz hemodiálise três vezes por semana. Benevides teve a oportunidade de fazer um transplante há 20 anos, mas teve medo. Depois, contraiu um vírus que o impede de receber o enxerto. Mesmo dependente de uma cadeira de rodas por causa de uma osteoporose, ele mostra que ainda tem seu lado rebelde. “É chegar em casa que eu ando um tico. Eles que não me ouçam, mas é preciso desobedecer o médico um pouquinho. Ou podem até ouvir, já me conhecem há tanto tempo que não vão ligar”, brinca. Informações da Folha de S. Paulo.
