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Doença do personagem de Gianecchini na novela 'Em família' tem alto índice de mortalidade no Brasil

Doença do personagem de Gianecchini na novela 'Em família' tem alto índice de mortalidade no Brasil
Foto: Divulgação
Mais de 100 mil casos de insuficiência cardíaca são diagnosticados por ano no país. É o que mostra uma pesquisa inédita realizada pelo Departamento de Insuficiência Cardíaca (DEIC) da Sociedade Brasileira de Cardiologia, em parceria com o Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital do Coração. O levantamento monitorou, por um ano e meio, 1.263 pacientes de 57 centros de referência, públicos e privados, de 17 estados. Desses, 477 morreram em seis meses, 298 voltaram a ser internados em menos de três meses e 220 foram internados novamente em até seis meses. A pesquisa do DEIC traçou o perfil dos pacientes de insuficiência cardíaca no Brasil, e constatou que, entre os principais fatores de risco dos pacientes monitorados, estão: pressão alta (70%), diabetes (34%), histórico de infarto, (27%) e insuficiência renal crônica (24%). Cerca de 60% eram mulheres acima dos 60 anos.

O Brasil apresentou também uma das maiores taxas de mortalidade por insuficiência cardíaca aguda do mundo. Dos brasileiros internados com a doença, 12,5% morrem no hospital, enquanto na Europa o percentual é de 6,7% e nos Estados Unidos é de 4,2%. Estudos realizados na Suécia e Escócia demonstram que doença em estágios avançados é mais prevalente que a maioria dos tipos de câncer, com exceção apenas do câncer de pulmão. O personagem “Cadu”, interpretado pelo ator Reynaldo Gianecchini, sofreu de insuficiência cardíaca na novela “Em Família”. No enredo, a doença atingiu a gravidade máxima, a chamada insuficiência cardíaca aguda (ICA), e foi necessário um transplante de coração. Porém, o DEIC alerta que é possível prevenir a doença e enfatiza que o tratamento clínico em centros especializados pode reduzir a mortalidade e a necessidade de transplante cardíaco.


A insuficiência cardíaca ocorre quando o músculo do coração começa a falhar e torna-se incapaz de fornecer sangue suficiente para atender as necessidades do organismo. Cerca de metade dos pacientes com a doença morrem em um período médio de cinco anos após o diagnóstico, principalmente em decorrência de episódios agudos (insuficiência cardíaca aguda), quando os sintomas repentinamente pioram e o paciente precisa ser internado com urgência. “O problema é que os brasileiros não tratam a hipertensão de forma adequada, o diabetes e nem o alto colesterol. O número de obesos aumenta, assim como o consumo de álcool e o tabagismo, que são os fatores que aumentam o risco de infarto (morte do músculo cardíaco) e irá determinar o aparecimento de insuficiência cardíaca. Da mesma forma, as pessoas não praticam atividade física. Como não há um estilo de vida saudável e existem falhas na prevenção e no tratamento, os riscos aumentam. Outra causa importante de insuficiência cardíaca no Brasil é a Doença de Chagas”, explica o presidente do Departamento de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Dirceu Rodrigues Almeida.