Cientistas questionam eficácia de bandagem terapêutica popular entre atletas
Uma revisão de estudos publicada na versão online do "Journal of Physiotherapy" (uma das mais importantes publicações internacionais do gênero) questiona a real eficácia das bandagens terapêuticas, esparadrapos coloridos cada vez mais populares entre atletas. Pesquisadores da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) analisaram 12 estudos clínicos realizados no mundo sobre os efeitos da chamada “kinesio taping” em 495 participantes com dores em ombros, joelhos, coluna lombar e pés. A análise teria mostrado que o recurso não teve efeito melhor do que o de placebos ou técnicas tradicionais de tratamento.
"Nas raras situações em que a bandagem foi melhor, essa vantagem era ínfima e não pôde ser considerada clinicamente importante", diz o coordenador do programa de mestrado e doutorado em fisioterapia da Unicid, Leonardo Oliveira Pena Costa. A técnica foi inventada pelo quiropata japonês Kenzo Kase, que começou a desenvolvê-la nos anos 1970. Mas, segundo Costa, recentemente a fita tornou-se um dos maiores "cases" de marketing esportivo da história, principalmente depois da Olimpíada de Sidney, em 2000.
"Quanto mais publicidade positiva houver, mais numerosas serão as impressões incorretas de eficácia. Mesmo quando apresento dados sobre a eficácia do método, muitos técnicos e fisioterapeutas dizem que continuarão usando, o que acho lamentável. Tratamentos eficazes podem estar sendo substituídos por um que não é melhor do que placebo”, alerta. Mesmo com a análise clínica, não há consenso sobre a eficácia. A fisioterapeuta Paula Rodrigues de Sousa, que já trabalhou com a seleção brasileira de kung fu, afirma que utilizou a bandagem em casos de hematoma e inchaço e a melhora teria sido visível. Ela afirma, porém, que os resultados da fita em programas de reabilitação são, em sua maioria, de apoio sensorial e psicológico. "Não podemos ignorar o fato de que a parte psicológica é fundamental para a performance”, disse à Folha de S. Paulo.
