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Laboratórios brigam na Justiça sobre patente de droga para Aids

Laboratórios brigam na Justiça sobre patente de droga para Aids
Disputa por Kaletra pode criar precedente na Lei de Quebra de Patente
O laboratório brasileiro Cristália e o gigante farmacêutico mundial AbbVie brigam na Justiça pela patente de uma droga usada no tratamento de pacientes com HIV. A autorização comercial do Kaletra foi concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) à empresa norte-americana Abbott em 2000 e deu ao laboratório o monopólio da venda no Brasil. O Kaletra, uma associação dos antirretrovirais ritonavir e lopinavir, é tido como o principal tratamento de segunda escolha — prescrito quando os remédios da chamada primeira escolha, mais antigos, não têm efeito devido à resistência do vírus. No país, segundo reportagem de O Globo, a estimativa é de que hoje o remédio seja distribuído pelo Ministério da Saúde a pelo menos 73 mil dos 313 mil soropositivos que eram atendidos pelo programa do governo em dezembro de 2012, a um custo de quase US$ 50 milhões anuais. Como tem aumentado o número de soropositivos, há a necessidade de medicamentos não só de segunda como de terceira linhas, ainda mais caros, o que começa a levantar dúvidas quanto à sustentabilidade financeira das ações do governo.

'Quebra de patente'


A briga entre Cristália e AbbVie ganha importância porque o resultado do processo pode estabelecer um precedente e um novo ordenamento jurídico sobre o sistema de licenciamento compulsório, conhecido como “quebra de patente”, previsto na legislação brasileira. Nos últimos anos, a simples ameaça de usar o mecanismo já era suficiente para levar os grandes laboratórios a reduzir os preços cobrados do governo. Ainda segundo O Globo, um exemplo é que os gastos totais com a compra de antirretrovirais pelo Ministério da Saúde recuaram de R$ 1,084 bilhão em 2009 para R$ 770 milhões no ano passado. O problema é que a estratégia tem perdido força, já que quase nunca a ameaça é levada a cabo.