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Mães transformam dor da perda de filhos em luta por justiça

Mães transformam dor da perda de filhos em luta por justiça
Adriana Machado, presidente da Associação Anjos de Realengo/Foto: Tomaz Silva
Os restos mortais das crianças vítimas de massacre em escola de Realengo, em 2011, ganham jazigo perpétuo no Cemitério jardim da Saudade, Sulacap, zona oeste do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva. Por conta do aumento dos casos de assassinatos contra crianças e adolescentes cresce também, em uma estatística silenciosa, o número de mães que sofrem com a perda, o luto e, em vários momentos, com a sensação de impunidade. Segundo reportagem da Agência Brasil, muitas mulheres tentam levar a vida transformando a dor e a perda em um motivo a mais para lutar por justiça. 
 
Alessandra
 
É o que faz a advogada Alessandra Soares. Ela é mãe de João Roberto Amorim Soares, morto em 2008, com dois tiros. Um menino tinha três anos na noite do dia 6 de junho de 2008, quando o veículo que a mãe dirigia foi metralhado por policiais militares na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Os policiais deram 17 tiros no veículo ao confundirem o carro com o de criminosos em fuga. Nos quase seis anos sem João, Alessandra luta por justiça, não apenas pela morte do filho, como também dos filhos de vários brasileiros que perderam a vida para a violência. “Continuamos participando dos movimentos em prol da paz e da justiça, pois o que ocorreu conosco continua ocorrendo. Pouca coisa ou nada mudou”, disse, ao ressaltar que os dois policiais militares envolvidos no caso foram absolvidos pelo júri. Em agosto de 2011, o Estado do Rio foi condenado a indenizar a família em R$ 500 mil. A pena inclui também pagamento de despesas com o funeral de João e dois terços do salário mínimo mensal no período em que a vítima teria entre 14 e 65 anos, e uma quantia mensal correspondente a dez salários mínimos até junho de 2012, quando completaram cinco anos do caso.
 
Adriana
 
Adriana Silveira Machado, mãe de Luísa Paula da Silva, uma das 12 vítimas do massacre na Escola Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, também vive a perda e ao mesmo tempo o sentimento que deve lutar por Justiça. Em 7 de abril de 2011, o ex-aluno Wellington Menezes entrou armado na escola e matou 12 alunos e ferindo 12. “É muito complicado, porque é uma dor que não tem fim e você tem que estar de pé pelo filho que ficou aqui. É uma mistura de sentimento e de dor. O Dia das Mães nunca mais será o mesmo”, diz Adriana Machado, que preside a Associação Anjos de Realengo. Luísa tinha 14 anos na época da tragédia e completaria 18 este ano.