Fotógrafa relata experiência de coma: 'Não houve luz branca, não houve túneis'
Foto: Reprodução
Depois de passar 23 dias em coma, a fotógrafa da Folha Karime Xavier, de 42 anos, ficou em coma induzido após uma infecção adquirida em uma cirurgia. Para contar como foi a experiência, ela fez um relato. Veja trechos dele abaixo:
"Dos 23 dias em coma, só lembro de histórias alucinantes, como a queda de um avião, gatos caçando ratos que saíam dos esgotos da av. Paulista, chips implantados nos braços e assaltos a farmácias. Não houve luz branca, não houve túneis nem parentes já falecidos.
Via meu corpo ligado a aparelhos. A parede estava cheia de cabos, como aquelas máquinas antigas pelas quais as telefonistas completavam as ligações, e havia sons intermitentes, que aceleravam enquanto o monitor mostrava os números: 6, 5, 4... Vou morrer, pensei, 3, 2, 1...
Morri. E, morta, vejo uma enfermeira esbaforida entrar no quarto e dar uma carga de energia nos aparelhos. Voltei. Depois soube que isso provavelmente aconteceu quando arranquei o tubo de oxigênio e dei um susto em todos na UTI. Por causa desse episódio, fui amarrada, ou melhor, contida.
A volta é estranha, um retorno a um espaço e a um tempo que não vi passar. Passados cinco meses da alta, meus cabelos caíram e ainda sinto a minha mão e meu pé esquerdos adormecidos". Informações da Folha.
