Droga injetável mensal evita que macacos contraiam aids
Por Agência Estado
Foto: Rafael Marchante / Reuters
Pesquisadores constataram que injeções de medicamentos contra aids persistente protegeram macacos durante semanas contra infecções. A descoberta pode levar a um importante avanço na prevenção da doença em seres humanos. Estudos realizados por dois laboratórios diferentes descobriram que macacos que receberam injeções mensais de drogas antirretrovirais ficaram totalmente protegidos contra a doença, e há evidências de que uma única injeção a cada três meses também poderia funcionar. Os estudos foram apresentados na última terça-feira, 4, na Conferência Anual sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, em Boston.
Se tais conclusões se confirmarem também em seres humanos, haverá potencial para superar um grande problema na prevenção da aids: o fato de muitas pessoas não tomarem regularmente seus comprimidos antirretrovirais. Um teste preliminar em seres humanos deverá começar no fim deste ano, informou Wafaa El-Sadr, especialista em aids na Escola de Saúde Pública da Universidade Columbia. Entretanto, um teste de maior alcance que leve a um tratamento no homem ainda está muito longe.
Desde 2010, que pessoas saudáveis que tomam uma pequena dose diária de medicamentos antirretrovirais - procedimento conhecido como profilaxia de pré exposição, ou PreP - podem contar com 90% de proteção contra infecções. Mas em vários testes clínicos realizados a partir de então em gays de sexo masculino, em usuários de drogas intravenosas e em casais em que um dos parceiros está infectado, ficou demonstrado que os únicos participantes protegidos foram os que tomaram seus comprimidos diariamente sem falhar uma só vez. Muitos não fazem isto.
O teste em seres humanos que deverá começar no fim deste ano e envolverá apenas 175 pessoas nos Estados Unidos, África do Sul, Malaui e Brasil. Segundo El-Sadr, de Columbia, o estudo deveria levar três anos antes que um teste maior permitisse constatar se o método que utiliza as injeções funciona em pessoas com a mesma eficácia do teste realizado em macacos. "Já sabemos de antemão que algumas pessoas irão querer a droga e depois não a usarão", disse Warren. "Mas mesmo assim teremos de oferecê-la".
