Pediatra diz que horários de blocos infantis no carnaval são inadequados
Por Francis Juliano
Foto: Reprodução
Para quem entra na avenida primeiro, nem sempre o carnaval pode ser uma boa brincadeira. O fato pode ser medido pela quantidade de crianças atendidas na emergência de uma dos maiores hospitais de Salvador, o Santa Izabel. Segundo a chefe de pediatria da unidade, Rita Mira, o número de menores atendidos depois da folia chega quase a dobrar. “Antes do carnaval são atendidas cerca de 70 a 80 crianças. Depois, atendemos um número que varia entre 140 a 150”, disse em entrevista ao Bahia Notícias. Segundo ela, o horário destinado pela maioria dos blocos é inadequado e influencia na saúde das crianças. “O ideal é que o desfile ocorresse a partir das 16h. Alguns blocos até começam cedo, entre 8h e 9h, mas acabam lá pelas 11h, 12h”, pontua, ao se referir aos riscos dos raios ultravioletas e à alta temperatura. A desidratação é um deles e se caracteriza pela falta de água e sais minerais no corpo. O caso se agrava quando há vômitos, diarreias, febre ou o uso de diuréticos. Rita orienta a ingestão de água em períodos curtos para evitar o problema. Protetor solar também dever ser aplicado com generosidade para evitar problemas com a pele. A chuva, sempre presente no carnaval pode refrescar, mas também ser veículo de enfermidades. “O problema é que sempre tem chuva, o que favorece o aparecimento de infecções, gripes e rinites”, detalha. Outras doenças comuns são as gastrenterites (do estômago), decorrentes do consumo de alimentos de qualidade duvidosa, como também dos que são incorretamente guardados para suprir a fome. “Tem pai que leva iogurte e esquece que o produto é perecível e estraga rápido. Se não for bem acondicionado, traz risco”, explica. Mesmo com todos os cuidados que os pais tenham com seus pequenos, caso haja algum problema na rua, a pediatra aconselha levá-los, primeiro, para um local arejado e depois acompanhá-los a um posto de saúde mais próximo, munido sempre da carteira de vacinação da criança. Ela também aconselha que, para bebês de até um ano de idade, o melhor é ficar de fora da brincadeira carnavalesca. Os riscos são bem mais sérios.
