Alimentos adoçados artificialmente aumentam desejo de açúcar, diz estudo
Por Agência Estado
O consumo de alimentos e bebidas adoçados artificialmente, especialmente quando a pessoa está faminta ou cansada, aumenta as probabilidades de que logo deseje mais açúcar, afirmou nesta sexta-feira (21) o pesquisador brasileiro Ivan de Araújo. Durante uma conferência nos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos sobre as diferentes respostas de recompensa aos adoçantes artificiais em relação à glicose, o professor de psiquiatria da Universidade Yale disse que a língua talvez não distingua entre adoçantes e açúcar, mas o cérebro, sim.
Em uma pesquisa realizada com ratos, pesquisadores observaram um sinal particular no cérebro que é necessário para determinar a seleção entre açúcares e adoçante. No laboratório, os cientistas submeteram os roedores a provas de comportamento nas quais usaram diferentes adoçantes e açúcares e observaram as respostas químicas em seus cérebros com o sinal de recompensa.
Quando aplicadas substâncias que interferiam na conversão de açúcar em energia, o interesse dos ratos pelos adoçantes artificiais diminuía significativamente e, com isso, baixavam os níveis de dopamina no cérebro. Ao dar aos ratos famintos, ou seja, com baixo nível de açúcar no sangue, a opção entre adoçantes artificiais e o açúcar, eles se mostraram muito mais interessados no açúcar mesmo que o adoçante fosse mais doce que a solução açucarada.
Araujo e seus colaboradores acreditam que é provável que se encontrem as mesmas diferenças nos humanos. "Especificamente isso implica que os humanos que, com frequência, ingerem produtos doces com baixo conteúdo de calorias quando têm fome ou estão cansados, são mais propensos a 'recair' e escolherão alternativas com alto conteúdo de calorias no futuro", disse o professor.
