Trabalho noturno prejudica saúde dos olhos, diz estudo
Levantamento feito no Instituto Penido Burnier, pelo oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, demonstra que metade dos trabalhadores noturnos tem o dobro de risco de perder a visão e 40% distúrbios que afetam o desempenho. O estudo acompanhou 617 trabalhadores noturnos. Do total, 247 pacientes (40%) se queixaram de visão embaçada, ardência, olho seco e dificuldade de focar. O estudo também demonstra que metade dos pacientes apresentou hipertensão, glicemia, sobrepeso e colesterol alto que dobram a chance do trabalhador noturno ter retinopatia diabética, catarata e degeneração macular. De acordo com o médico, isso acontece por causa da exposição irregular do trabalhador noturno à luz e ao escuro, que sincronizam a secreção de hormônios responsáveis por nossas funções biológicas no período de um dia. Quem trabalha à noite pode ter uma redução significativa da produção de melatonina que só é secretada à noite e se estivermos em ambiente escuro. Por ser um hormônio antioxidante duas vezes mais potente que a vitamina E, comenta, a melatonina protege os olhos das doenças decorrentes do envelhecimento. A redução da melatonina é acompanhada pelo aumento do cortisol e adrenalina que mantêm o estado de vigília. O excesso de adrenalina, explica, aumenta os batimentos cardíacos e a pressão arterial. Já a maior produção de cortisol causa ganho de peso, glicemia e colesterol alto. O médico ressalta que é possível trabalhar à noite e ser saudável desde que o trabalhador tome alguns cuidados. Ele recomenda escurecer ao máximo o quarto antes de dormir, praticar exercícios físicos regularmente, incluir na dieta laticínios, nozes, gergelim e tofu, além de evitar o consumo de café.
