Em São Paulo, 117 pacientes 'sem nome' vivem em hospitais
De 2006 a 2013, os hospitais de São Paulo receberam 636 pacientes sem identificação. Hoje ainda há 117 "sem-nome" – os demais tiveram alta ou morreram – em hospitais públicos e particulares, segundo site da Secretaria de Estado da Saúde criado na tentativa de localizar familiares. Os chamados "sem-nome" costumam ser encontrados nas ruas desmaiados ou com traumatismos na cabeça. A maioria é idosa e há a suspeita de que alguns fossem moradores de rua. Há também os casos de pessoas que foram abandonadas intencionalmente pelas famílias. Eles são levados a prontos-socorros e, após alta, transferidos para hospitais que internam por um período mais longo pacientes crônicos -com sequelas de um derrame, por exemplo. Para o médico Paulo Formighieri, do Ambulatório de Geriatria do HC de Ribeirão Preto, a situação chega a esse ponto porque o Brasil não tem um sistema eficiente de cadastro de dados e digitais. "Além de divulgar na mídia, não há muito o que fazer para localizar a família", lamenta. Ao morrer, são enterrados como indigentes, como nunca tivesse existido. Devido a essa situação, os hospitais passaram a pedir na Justiça a chamada certidão de nascimento tardia. "É dar uma maior dignidade à pessoa", diz Sandra Bin Dias, assistente social do Hospital Auxiliar de Suzano, do HC de São Paulo. As informações são da Folha de S. Paulo.
