Burocracia dificulta acesso de pacientes com câncer à morfina
Um estudo realizado na África, Ásia, no Oriente Médio, na América Latina e no Caribe verificou que o excesso de burocracia dificulta o acesso de pacientes com câncer à morfina e outras drogas opioides que aliviam a dor, como codeína e metadona. O Brasil é um dos casos mais problemáticos da América Latina, onde os médicos pouco receitam as medicações e existe pouca oferta nas unidades de saúde. "A pandemia de excesso de regulação nos países em desenvolvimento torna muito difícil o acesso à medicação básica para as dores do câncer", afirmou Nathan Cherny, líder do estudo e presidente do grupo de cuidados paliativos da Sociedade Europeia de Oncologia Médica. Ainda assim, Cherny assume a necessidade de controle do uso de tais medicamentos, para evitar abusos e desvios. O anestesiologista Charles Oliveira, vice-presidente do Instituto Mundial da Dor, no Brasil, avalia que ainda há uma desinformação por parte de pacientes e médicos. “O paciente e a família pensam que a morfina está restrita a doentes terminais, então rejeitam o uso. Já muitos médicos têm medo [da dependência, por exemplo] ou não sabem prescrevê-la”, pontuou. Em nota sobre o assunto, o Ministério da Saúde negou o excesso de burocracia para acesso aos medicamentos derivados de opioides e afirmou que o país segue resoluções internacionais sobre o tema. Segundo a pasta, o SUS garante o uso dessas drogas aos pacientes que realmente necessitam , mas estabelece normas para garantir a segurança, como controle de receita médica. Com informações da Folha de S. Paulo.
