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Terça, 26 de Outubro de 2021 - 11:10

Hospital Roberto Santos registra queda de 70% das cirurgias durante pandemia

por Jade Coelho

Hospital Roberto Santos registra queda de 70% das cirurgias durante pandemia
André Estrela é diretor médico do HGRS | Foto: Arquivo pessoal

Apesar de não ter sido convertido em uma unidade exclusiva de Covid-19, o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, sentiu os impactos da crise sanitária em outros aspectos. Em relação à realização de cirurgias, a unidade registrou redução de 70% até o mês passado, quando a retomada dos procedimentos cirúrgicos eletivos foram autorizadas pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).  O HGRS é o maior hospital público do estado da Bahia, com 640 leitos. Se trata de uma unidade de grande porte, de alta complexidade, terciário e de caráter assistencial. 

 

De acordo com o diretor médico do HGRS, André Estrela, a redução se deu porque apenas os procedimentos oncológicos foram mantidos durante o período em que o decreto da Sesab suspendeu as cirurgias eletivas. Os procedimentos cirúrgicos da oncologia represem cerca de 30% de todos os realizados no Roberto Santos, sinalizou o gestor.

 

O período de suspensão de cirurgias resultou em uma alta demanda reprimida. André Estrela, aponta que a especialidade mais afetada foi a urologia. Diante disso, o Hospital Geral Roberto Santos planeja fazer um mutirão no próximo mês, aproveitando a campanha "Novembro Azul", que chama atenção para conscientização a respeito da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata.

 

“Devem incluir essa quantidade de pacientes que ficaram reprimidos também durante a pandemia, e a ideia é agora com esse mutirão a gente poder abraçar esses pacientes para fazer cirurgias”, disse o diretor médico.

 Durante a entrevista, o diretor médico do HGRS deu mais detalhes sobre a retomada das cirurgias. Leia a conversa completa na coluna Saúde. 

Hospital Geral Roberto Santos, o maior hospital público do estado da Bahia | Foto: Carol Garcia/GOVBA



As cirurgias eletivas foram suspensas por muitos meses diante do agravamento da pandemia da Covid-19. A gente consegue mensurar isso quantitativamente. Mas qualitativamente qual o impacto dessa suspensão na saúde da população, na qualidade de vida...?
Na realidade durante a pandemia foi feito decreto estadual onde se deu que as cirurgias eletivas, aquelas programadas, fossem suspensas. Continuou a se fazer as cirurgias curativas, no caso de câncer e cirurgias cardíacas. A programação dessas cirurgias foi mantida. No nosso hospital as cirurgias de câncer a gente continuou fazendo, tomando todas as medidas para o Covid, isolamento, todas as barreiras de saúde que foram impostas. O impacto foi realmente grande porque a população ficou sem fazer cirurgias programadas, eletivas. E isso agora a gente está tentado resgatar a princípio, do início, aonde foi parado para poder a rotina que era antes.



Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), do Ministério da Saúde, mostram que na Bahia número de cirurgias no SUS caiu 21% no ano passado. O estado teve um índice de redução maior que o registrado no país, que foi de 18%. Especificamente no Hospital Geral Roberto Santos, de quanto foi essa redução?
Essa redução para a gente aqui foi de uns 70% mais ou menos. Nossas cirurgias oncológicas giram em torno de 30% e 35% a média.


Alguma especialidade foi mais afetada? Algum tipo específico de procedimento tem uma demanda reprimida maior? Qual?
Sim. Acredito que mais a urologia. A gente teve grande demanda reprimida em relação a isso. Eram pacientes que tinham cateter ureteral e que precisavam ser retirados e para o modo eletivo também e que ficou bastante reprimido.


E em segundo lugar, qual é a mais afetada?
Em segundo lugar a cirurgia geral, aqueles procedimentos de hérnia, vesícula, cirurgias gastrectomia, colectomia, são as cirurgias mais represadas.


Quantas cirurgias por dia o HGRS fazia antes?
Em números, por dia, uma média de 15 a 18 cirurgias.


O senhor apontou a urologia como a especialidade com mais demanda reprimida. É ela então a prioridade nessa retomada de cirurgias?
Sim, exatamente. Ela está no início. A gente já esta fazendo essas cirurgias que estavam com demanda bastante reprimida. São cirurgias, na maioria, ambulatoriais, que a gente faz como day, o paciente interna no mesmo dia e sai no mesmo dia. Então a gente já está começando a dar volume para poder tirar esses pacientes da lista.

 

A secretaria da Saúde Tereza Paim falou da necessidade das unidades de saúde organizarem mutirões de cirurgia para tentar de algum modo “correr atrás do prejuízo” da suspensão dos procedimentos eletivos durante a pandemia. Estratégias deste tipo já estão previstas para acontecer no HGRS?
A gente quer fazer um mutirão para a época do "Novembro Azul" que o benefício será em volta dos pacientes da urologia. E com isso devem incluir essa quantidade de pacientes que ficaram reprimidos também durante a pandemia, e a ideia é agora com esse mutirão a gente poder abraçar esses pacientes para fazer cirurgias.


Tem um número previsto de procedimento?  
Não. A gente pode aí cirurgias urológicas, pode fazer fimose, retirada de catéter, prostectomia... Vários exames e cirurgias que ficaram reprimidos e que a gente pode realização.

 

Com a liberação da retomada das cirurgias há quase um mês o HGRS já está funcionando a pleno vapor? Voltou à média de procedimentos que realizava no período pré-pandemia?
Sim já estamos funcionando como previamente a pandemia. Voltamos com todas as alas, a gente tem cirurgias durante o período da manhã, tarde e noite.  Então já estamos com essa rotina em curso.

 

Mesmo com a liberação desses procedimentos, ainda estamos em uma pandemia. O que muda na unidade com essa orientação para retomada de 100%, ao tempo em que certos cuidados ainda são necessários?
Os pacientes da gente precisam estar tomando cuidados. Esses pacientes a gente tem como ter melhor avaliados. Nesses pacientes eletivos a gente tem como fazer exames, a maioria já foram vacinados, tomado duas doses de vacina, a gente sempre tem um protocolo a seguir. Claro que esse protocolo agora ficou muito mais fácil. Hoje a população está se vacinando, as pessoas que tem alguma comorbidade, alguma doença que quer ficar boa dessa doença e cuidar dessa doença tomando os devidos cuidados. No período da pandemia é se vacinar. Por isso vacinando a gente cobra cartão de vacinação, que não venham para a cirurgia com sintomas, tudo isso faz parte do nosso protocolo de cirurgias eletivas.

E a questão dos visitantes? Como fica?
Em relação aos visitantes teve uma Nota Técnica que já está se liberando para os pacientes, a gente segue uma rotina de não liberar para todos os pacientes que estão no mesmo setor. A gente libera De manhã para números pares, de tarde para números ímpares, para que não tenha muita gente no mesmo setor e que não tenha aglomeração.
 

O Roberto Santos não foi convertido em uma unidade Covid-19, mas foi impactado pela pandemia. De que formas o hospital sentiu e enfrentou a crise sanitária?
A gente não foi hospital de campanha e não tivemos nenhuma ala para campanha. Mas nós tivemos pacientes com Covid-19. Às vezes os pacientes se internavam e aqui dentro a gente diagnosticava o Covid. E essas pessoas teriam que estar internados, a gente teve que fazer um setor de isolamento, quando foi feito um mini hospital, uma ala do hospital foi designada pra isso, para esses pacientes ficarem lá, já que todos tinham o mesmo diagnóstico. Então eles ficam juntos não disseminava para outras alas a Covid-19.

 

E quanto aos funcionários? Como foi o impacto da Covid-19 aí?
Isso foi um desafio para todo mundo do hospital. Alguns funcionários com Covid, Mas nós, a classe médica foi privilegiada porque estamos na linha de frente, a maioria se vacinou e acho que isso contribuiu muito para que a doença dentro do hospital, entre servidores e funcionários, colaboradores não se multiplicasse.

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