Nutricionista de Allan do Carmo, Daniel Cady fala sobre seu trabalho com o atleta baiano
Foto: Reprodução/ Facebook
O nadador baiano Allan do Carmo garantiu, em 27 de julho, sua vaga nos Jogos Olímpicos 2016, que acontecem no Rio de Janeiro. Por trás da conquista e do atleta, existem profissionais que tentam garantir seu bom desempenho. Um deles é o nutricionista Daniel Cady. Responsável pela alimentação de Allan desde as preparações para a Olimpíada de 2012, em Londres, Daniel contou ao Bahia Notícias como é desenvolvida a preparação nutricional de um atleta de alto rendimento e especificamente seu trabalho com o baiano. "Allan é um atleta muito diferenciado. Eu já tive contato com outros atletas também de alto rendimento, mas não conheço nenhum com tanto foco quanto ele. Em momento algum ele resistiu a alguma conduta", elogiou. O nutricionista ainda falou sobre o uso de suplementos alimentares e sobre as dificuldades enfrentadas com atletas que seguem uma nutrição vegetariana ou vegana. Além de seu trabalho, Daniel também é conhecido como marido da cantora Ivete Sangalo e garantiu que levará tanto ela quanto o filho do casal, Marcelo, aos Jogos Olímpicos. "A gente gosta muito de esporte", pontuou.
Como começou seu trabalho com Allan do Carmo? Quais foram as etapas iniciais?
Eu fui chamado para trabalhar com Allan quando ele estava na véspera da última seletiva olímpica para Londres. Ele ia viajar para Portugal, para uma prova de maratona aquática, e era a última chance dele de conseguir a vaga olímpica. Eu acho que um ou dois meses antes, a equipe dele me procurou com o intuito de tentar fazer um trabalho nutricional mais dedicado e mais específico. O trabalho que eu fiz com Allan foi diferencial, porque a gente se via toda semana. Eu ia para a borda da piscina de onde ele treina, e a gente decidia tudo. Isso foi o primeiro contato. Infelizmente, ele não conseguiu a vaga para Londres. Então nós focamos para conseguir nessa segunda chance aqui no Brasil. A gente trabalhou junto por quase três anos e conseguimos, em grupo, melhorar muito a performance de Allan. Ele emagreceu um pouco, ganhou massa muscular, melhorou bastante tanto fisicamente quanto nutricionalmente.
A natação exige algum tipo de alimentação diferente com relação a outros esportes?
Na verdade, não exige uma diferença em termos de alimentos. Existe uma estratégia diferente de alimentação baseada na distância e no tempo que ele demora competindo. Allan não é um nadador de piscina, que faz uma prova em poucos segundos. Ele passa horas competindo. Os treinos também são mais longos. Então existe uma demanda nutricional diferente para adequar a essa necessidade de treino e competição. Diferente da natação em piscina, na maratona aquática o atleta pode parar para suplementar. Ele pode beber uma água, um suplemento. Isso exige um treinamento também dessa estratégia. Essa é a grande diferença.
Houve algum tipo de resistência ou dificuldade com relação à implantação desse seu trabalho com Allan?
Não, pelo contrário. Allan é um atleta muito diferenciado. Eu já tive contato com outros atletas também de alto rendimento, mas não conheço nenhum com tanto foco quanto ele. Em momento algum ele resistiu a alguma conduta. Se fosse para comer pedra, ele comeria pedra. Ele é um cara que executa. Para mim, não teve nenhum problema. Ele não é um atleta indisciplinado, porque isso é muito comum. Eu dei essa sorte, e ele chegou onde chegou por conta disso também. Isso ajudou muito no desenvolvimento do trabalho.
Já houve algum conflito relacionado à alimentação dele e ao local onde ele foi competir? Talvez por falta de algum alimento específico?
Sim, na China. Uma das etapas do Circuito Mundial [de Maratonas Aquáticas] geralmente é na China. Lá a alimentação é um caos, muito diferente da nossa. Inclusive estou indo em outubro para a China, porque vai ter outra etapa do Mundial, e eles precisam muito de mim para garantir uma alimentação que dê suporte a ele lá. Eles comem muita fritura, muita pimenta. Eles tomam uma sopa de galinha, que é com um pé de galinha dentro, parecendo uma canja. Não consomem frutas. É muito diferente. Aí ele que não está acostumado com aquilo corre o risco de ter uma diarreia na véspera da competição ou algo assim. Quando eu não posso viajar com ele, a tecnologia ajuda, porque ele tira foto, manda whatsapp, estamos sempre em contato. Mas o lugar mais tenebroso é a China mesmo. Em alguns lugares a gente já consegue pedir no hotel para garantir o básico para a alimentação dele.
Quais as principais diferenças entre trabalho com um atleta de alta performance e outros atletas?
O atleta de alta performance tem uma necessidade nutricional muito maior que um atleta amador, ele tem um desgaste físico triplicado e pode variar a composição corporal muito rapidamente. O atleta de alto rendimento tem que estar 100% o ano inteiro para conseguir lidar com isso e também com a agenda de treino e competições, que é muito puxada. Se ele não tiver uma nutrição adequada e um descanso adequado, ele quebra, se machuca, não tem um bom rendimento. É necessário estar atento e ali em cima o tempo todo porque, de uma semana para outra, ele já muda o treinamento, a necessidade nutricional. A atenção e o suporte têm que ser mais intensos e mais próximos para o atleta de alta performance. Um atleta amador pode ter uma alimentação parecida por um longo período de tempo, as competições não são tão frequentes, são em local e condição parecidas. O Allan, por exemplo, em um mês compete em uma água de 17ºC e, dois meses depois, pode competir em um lugar com água de 31ºC. Tem que estar preparado para isso.
O que não pode faltar na alimentação de um atleta?
Boa e difícil pergunta. De modo geral, não pode faltar nada. A diferença entre a alimentação de um atleta e de outra pessoa comum é que a gente pode fazer uma dieta mais restritiva cortando alguns alimentos, mas um atleta não suporta isso. Não existe cortar carboidrato ou gordura na dieta de um atleta, por exemplo. Ele não vai em frente dessa forma.
Como começou seu trabalho com Allan do Carmo? Quais foram as etapas iniciais?
Eu fui chamado para trabalhar com Allan quando ele estava na véspera da última seletiva olímpica para Londres. Ele ia viajar para Portugal, para uma prova de maratona aquática, e era a última chance dele de conseguir a vaga olímpica. Eu acho que um ou dois meses antes, a equipe dele me procurou com o intuito de tentar fazer um trabalho nutricional mais dedicado e mais específico. O trabalho que eu fiz com Allan foi diferencial, porque a gente se via toda semana. Eu ia para a borda da piscina de onde ele treina, e a gente decidia tudo. Isso foi o primeiro contato. Infelizmente, ele não conseguiu a vaga para Londres. Então nós focamos para conseguir nessa segunda chance aqui no Brasil. A gente trabalhou junto por quase três anos e conseguimos, em grupo, melhorar muito a performance de Allan. Ele emagreceu um pouco, ganhou massa muscular, melhorou bastante tanto fisicamente quanto nutricionalmente.
A natação exige algum tipo de alimentação diferente com relação a outros esportes?
Na verdade, não exige uma diferença em termos de alimentos. Existe uma estratégia diferente de alimentação baseada na distância e no tempo que ele demora competindo. Allan não é um nadador de piscina, que faz uma prova em poucos segundos. Ele passa horas competindo. Os treinos também são mais longos. Então existe uma demanda nutricional diferente para adequar a essa necessidade de treino e competição. Diferente da natação em piscina, na maratona aquática o atleta pode parar para suplementar. Ele pode beber uma água, um suplemento. Isso exige um treinamento também dessa estratégia. Essa é a grande diferença.

Daniel Cady é nutricionista do nadador Allan do Carmo | Foto: Reprodução/ Facebook
Houve algum tipo de resistência ou dificuldade com relação à implantação desse seu trabalho com Allan?
Não, pelo contrário. Allan é um atleta muito diferenciado. Eu já tive contato com outros atletas também de alto rendimento, mas não conheço nenhum com tanto foco quanto ele. Em momento algum ele resistiu a alguma conduta. Se fosse para comer pedra, ele comeria pedra. Ele é um cara que executa. Para mim, não teve nenhum problema. Ele não é um atleta indisciplinado, porque isso é muito comum. Eu dei essa sorte, e ele chegou onde chegou por conta disso também. Isso ajudou muito no desenvolvimento do trabalho.
Já houve algum conflito relacionado à alimentação dele e ao local onde ele foi competir? Talvez por falta de algum alimento específico?
Sim, na China. Uma das etapas do Circuito Mundial [de Maratonas Aquáticas] geralmente é na China. Lá a alimentação é um caos, muito diferente da nossa. Inclusive estou indo em outubro para a China, porque vai ter outra etapa do Mundial, e eles precisam muito de mim para garantir uma alimentação que dê suporte a ele lá. Eles comem muita fritura, muita pimenta. Eles tomam uma sopa de galinha, que é com um pé de galinha dentro, parecendo uma canja. Não consomem frutas. É muito diferente. Aí ele que não está acostumado com aquilo corre o risco de ter uma diarreia na véspera da competição ou algo assim. Quando eu não posso viajar com ele, a tecnologia ajuda, porque ele tira foto, manda whatsapp, estamos sempre em contato. Mas o lugar mais tenebroso é a China mesmo. Em alguns lugares a gente já consegue pedir no hotel para garantir o básico para a alimentação dele.
Quais as principais diferenças entre trabalho com um atleta de alta performance e outros atletas?
O atleta de alta performance tem uma necessidade nutricional muito maior que um atleta amador, ele tem um desgaste físico triplicado e pode variar a composição corporal muito rapidamente. O atleta de alto rendimento tem que estar 100% o ano inteiro para conseguir lidar com isso e também com a agenda de treino e competições, que é muito puxada. Se ele não tiver uma nutrição adequada e um descanso adequado, ele quebra, se machuca, não tem um bom rendimento. É necessário estar atento e ali em cima o tempo todo porque, de uma semana para outra, ele já muda o treinamento, a necessidade nutricional. A atenção e o suporte têm que ser mais intensos e mais próximos para o atleta de alta performance. Um atleta amador pode ter uma alimentação parecida por um longo período de tempo, as competições não são tão frequentes, são em local e condição parecidas. O Allan, por exemplo, em um mês compete em uma água de 17ºC e, dois meses depois, pode competir em um lugar com água de 31ºC. Tem que estar preparado para isso.
O que não pode faltar na alimentação de um atleta?
Boa e difícil pergunta. De modo geral, não pode faltar nada. A diferença entre a alimentação de um atleta e de outra pessoa comum é que a gente pode fazer uma dieta mais restritiva cortando alguns alimentos, mas um atleta não suporta isso. Não existe cortar carboidrato ou gordura na dieta de um atleta, por exemplo. Ele não vai em frente dessa forma.
No caso de atletas vegetarianos ou veganos, como fica isso?
É possível, sim, a gente trabalhar dessa forma. Existem atletas de alto rendimento, até atletas olímpicos que já foram pódio e são vegetarianos. Aí exige muito uma complementação com suplemento. É possível, mas dá muito mais trabalho e exige muito mais dedicação do atleta, porque é necessário ter atenção para não faltar proteína, ferro, vitamina B12... Alguns nutrientes que podem faltar em uma dieta vegetariana. Quando é uma dieta vegana, que é mais difícil em atletas, dá muito mais trabalhos, mas hoje em dia tem proteínas que dá para suplementar. É bem mais fácil hoje em dia, desde que o atleta tenha dedicação e compromisso.

Allan do Carmo garantiu a vaga nos Jogos Olímpicos 2016 em julho deste ano | Foto: Agência Brasil
Um atleta pode consumir alimentos gordurosos, como ovos e bacon?
Quando você fala assim, dá margem a duas interpretações. Existem gorduras boas e ruins. A gordura do bacon frito, de uma picanha é diferente da gordura do abacate, da castanha, de um peixe. Existem atletas com uma demanda energética muito grande. Allan consome, por dia, entre 4 mil e 5 mil calorias, depende da fase de treinamento. Tem atletas que consomem até 8 mil calorias por dia. Para consumir 8 mil calorias sem gordura, é um volume de comida tão grande que você não consegue comer, porque uma grama de gordura tem nove calorias, enquanto uma grama de carboidrato tem quatro calorias. É uma quantidade maior de calorias em um mesmo volume. Allan precisa consumir gordura, mas gorduras selecionadas. A gente equilibra também a gordura. Mas gordura de fritura, gordura hidrogenada, a gente descarta, porque são gorduras pró-inflamatórias.
Para a população em geral, produtos como whey protein e outros suplementos prejudicam uma nutrição adequada?
Se esses suplementos forem necessários, não como uma comodidade, se tiver acompanhamento profissional e adequado à rotina da pessoa. É preciso entender de que forma aquilo pode ajudar ou até prejudicar a pessoa. Na maioria das vezes, as pessoas até desperdiçam dinheiro, porque não têm o resultado esperado. Tem gente que engorda, outras têm uma alimentação tão ruim que o corpo utiliza o suplemento para produção de energia. É necessário que seja personalizado e adequado a cada um. O que acontece é que as pessoas vão na onda de modismo. Suplemente está virando comida. É panqueca de whey, bolo de whey, biscoito proteico... A indústria se aproveita muito disso, e as pessoas vão numa onda de “quanto mais, melhor”. É preciso tomar um certo cuidado, porque qualquer coisa em excesso faz mal. Não vejo nenhum problema em usar alguns suplementos se houver acompanhamento de um profissional.
Para finalizar, como está a preparação e ansiedade da equipe para os Jogos Olímpicos 2016?
A equipe está muito motivada, Allan ainda mais. Ele tirou um peso enorme dessa cobrança que é conseguir a vaga olímpica, principalmente porque é no Brasil. Ele está muito feliz e cheio de vontade – mais ainda do que já tem – de melhorar e fazer tudo que for planejado. Ansiedade existe sempre, mas Allan controla bem isso. Eu estou muito feliz de estar participando disso, vivendo essa experiência, que é inédita para mim. A gente está muito feliz e se dedicando muito para que Allan ganhe uma medalha olímpica.
E você vai levar Ivete e Marcelo para assistir aos jogos?
Lógico! A gente já ia independente disso, porque a gente gosta muito de esporte. A gente foi para a Copa do Mundo 2014. Na verdade, Ivete recebe muitos convites, então a gente sempre vai. Meu filho também vai. Ele nada, adora esportes. A gente incentiva isso nele. Não sei como vai ser ainda, porque está muito longe, mas a gente vai dar um jeito de conciliar isso de estar trabalhando e, em horas vagas, passear lá no Rio. A gente está junto o tempo todo.
