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Entrevista

'Há uma energia forte na Lua Cheia', diz instrutora sobre evento de meditação no Farol da Barra

Por Francis Juliano / Fotos: Cláudia Cardozo

'Há uma energia forte na Lua Cheia', diz instrutora sobre evento de meditação no Farol da Barra
Fotos: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias
Prevista para acontecer neste domingo (16) em Salvador, e em mais outras dez cidades brasileiras, além de outras ao redor do mundo, a Meditação da Lua Cheia pretende atrair muita gente ao Farol da Barra, a partir das 20h. A intenção é sentir os efeitos do ato meditativo, potencializados pelo ciclo mais forte do astro e satélite natural da Terra, que interfere nas marés, entre outros movimentos terrestres. Segundo Patrícia Freitas, uma das instrutoras da “Arte de Viver”, organização humanitária internacional que trabalha com ioga e outras iniciativas de controle do estresse, “há uma energia forte na Lua Cheia”, o que não dificulta a concentração para meditar, mesmo que você esteja rodeado de gente. Em entrevista ao Bahia Notícias, ao lado da voluntária da entidade, Olga González, a dupla falou sobre os benefícios da meditação na saúde, contestou a visão de superficialidade vista por alguns e recomendou o exercício para os que não têm tempo e para os que sofrem de depressão. “Eles não estão alimentando a própria alma”, avaliou Olga. Confira a entrevista abaixo.
 
  
Bahia Notícias: Primeiro, queria que vocês falassem sobre o evento que ocorre neste sábado (16), em Salvador?
 
Patrícia Freitas: Esse evento está acontecendo em várias cidades do Brasil, todo dia de lua cheia, durante à noite. Aqui, vai acontecer no Farol da Barra, e o que é a gente faz: simplesmente abre este espaço para que as pessoas possam sentir o que é a meditação, o que é que o relaxamento traz: a paz. Ou seja, para que elas possam tomar contato com essas práticas que são tão úteis para qualquer pessoa, independente da idade, profissão. Às vezes falta informação ou a pessoa tem um preconceito. Então, você vai lá e experimenta e vê que qualquer um pode ser beneficiado.
 
BN: Qualquer pessoa pode participar, sem restrição nenhuma?
 
PF: Qualquer pessoa pode ir. O espaço é aberto. As pessoas simplesmente chegam e se acomodam. Podem trazer a esteirinha, a almofadinha, como quiser.
 
BN: Quando a gente pensa em meditação, vem logo a ideia de um lugar silencioso, afeito à concentração. Só que este evento vai ocorrer em uma praia e em um local onde muitas pessoas vão estar reunidas. Como é que se consegue concentrar e meditar assim?
 
PF: Isso é para lembrar às pessoas que a paz está dentro delas. Então, a pessoa pode realmente entrar em contato com esse ambiente, com esse silêncio, com essa tranquilidade interior, independente de seu entorno. Por exemplo: eu mesmo costumo meditar quando estou em um consultório esperando uma consulta médica. Às vezes tem aquela demora. Eu sento ali e medito traquilamente.
 
 
BN: O evento deve durar quanto tempo?
 
PF: A meditação deve durar uns vinte minutos. Pode ser que demore um pouquinho mais, porque as pessoas querem fazer perguntas. Querem saber mais.
 
BN: Como é que funciona a conversa com o público?
 
PF: Primeiro, a gente se apresenta, abre o espaço para perguntas, as pessoas compartilham experiências. Muitas pessoas chegam a dizer: “poxa, eu pensei que nunca ia conseguir relaxar neste ambiente!”.
 
Olga González: É interessante falar também que a gente tem tido uma média de 70 a 100 pessoas por meditação. Lá de frente ao Farol [da Barra], na grama, todo mundo sentado ali. E como é uma meditação coletiva, há também a forma guiada. Um instrutor da “Arte de Viver” vai e guia essa meditação. Para quem não tem experiência, uma meditação guiada é mais fácil do que você sentar e meditar puramente. Isso precisa de uma prática. Essa [meditação guiada] é especificamente conduzida por um instrutor ou um guia. Além disso, existe essa coisa de ter muita gente meditando junto, o que torna o ambiente propício para meditação, mesmo com o barulho.
 
BN: E o porquê de se meditar na Lua Cheia?
 
PF: Existe essa coisa da Lua Cheia, da beleza da Lua Cheia, e cada lua representa uma energia. Se você for a um obstetra, muitos deles carregam um mapa da lua cheia, porque muitas mulheres acabam tendo filho nesse período, pois a bolsa [membrana que protege o útero] se parte. Então cada vibração tem uma energia. Tudo é energia. Há uma energia forte na Lua Cheia que é propícia à meditação.

 
 
OG: Do mesmo modo que a lua tem uma influência sobre as marés, se a gente pensar que, do nosso corpo, a maior parte dele é composto de água, a lua também tem uma influencia sobre nós humanos. 
 
BN: Então, se a pessoa quiser meditar em casa, os dias de lua cheia são os mais recomendados.
 
PF: Na realidade, todo dia é bom para meditar. Agora, existem horários que são mais propícios para meditação. Seis horas da manha, meio dia, seis horas da tarde, são bons momentos para meditar. São ciclos propícios para meditação. Inclusive, a gente tem cursos que levam a este estado meditativo. Porque o que acontece com a nossa mente? Enquanto eu estou falando nesse momento, a sua mente está falando junto comigo. Você está concordando ou discordando de mim. Ou pensando no passado, ou no futuro. A nossa mente, principalmente, a mente ocidental, não para. Então, o que é o descanso profundo? É quando a gente está no momento presente. Como trazer a sua mente para o momento presente? (Não como conceito, porque a gente sabe um milhão de livros, como “O Poder do Agora” [autor Eckhart Tolle; editora: Sextante], mas como ter esse “agora” em uma experiência.) É isso que a meditação dá. É isso que a prática de respiração oferece. Porque a “Arte de Viver” tem esse sucesso estrondoso em mais de 150 países? Porque ele ensina como aquietar a nossa mente, não como conceito, mas como prática.
 
OG: E qualquer pessoa comum pode ser beneficiada. Não precisa ser um monge e está retirado em mosteiro. A pessoa pode ser um médico, um jornalista, administrador, dona de casa. A gente tem projetos em comunidades e até em presídios.
 
BN: Agora, é claro, para a pessoa conseguir melhores benefícios, ela precisaria se aprofundar na prática meditativa. O que vocês sugerem para quem quer algo a mais do que uma noite de meditação em uma lua cheia?
 
OG: Nós temos esse curso que se chama meditação sahaj samadhi, que você usa um mantra. Um som que tem uma vibração especial.  E o que faz esse som? Ele alivia a repetitividade. Porque se a gente for analisar, o que se passa durante o dia na nossa mente são pensamentos e ideias repetitivas. Então, para aquietar essas ondas de pensamento, a gente utiliza esse mantra. Esse curso oferece o mantra para cada pessoa, que é secreto, especial, e que vai ser seu melhor amigo.
 
 
BN: Cada pessoa tem um mantra?
 
OG: A pessoa recebe o mantra e vai aprender como usar ele. Isso é aprendido em um curso de três dias, de duas horas de duração. Aí depois desse curso, você pode praticar a meditação em sua casa, duas vezes por dia durante 20 minutos.
 
BN: Quais são os benefícios da meditação na saúde?  
 
OG: Principalmente dando mais energia e aliviando dores no corpo. A gente tem feito várias pesquisas dentro do “Arte de Viver”. Lá tem médicos, pesquisadores, e é percebido que quando você adota essas práticas [de meditar], o cortisol – que é o hormônio do estresse – cai bastante. Além disso, existe uma elevação de células que protegem o corpo, aquelas células que ajudam o sistema imunológico a proteger o organismo. Então, você tem mais energia e fica resistente a doenças.
 
BN: Existem pessoas que precisam mais da meditação do que outras?
 
OG: Acho que qualquer pessoa pode ser beneficiada com a meditação.
 
BN: Hoje, a gente praticamente vive um problema de saúde pública, que é a depressão. Como pessoas que sofrem desta doença podem ter efeitos positivos com a meditação?
 
OG: Na realidade, a gente diz que existe uma energia vital que nos move chamada Prana. E nós temos quatro principais fontes dessa energia. Quais são: alimentação correta, ou seja, comer frutas, verduras frescas, não comer comidas enlatados, fast food, comidas velhas, congelados; o sono reparador; a respiração, que é a maior fonte de energia; e o estado calmo e positivo da mente. Então, quando a gente está com esse prana elevado, nós estamos alegres e dispostos; quando a gente está com o nível de prana médio, estamos em um estado médio; mas quando o nosso nível de prana está bem baixo, aí vem o problema da depressão.
 
BN: Existem pessoas que têm resistência a essas práticas, chamadas também de alternativas, porque entendem como algo de uma autoajuda superficial e que não vão resolver o principal do problema. O que vocês têm a dizer sobre isso?
 
PF: A ioga tem mais de cinco mil anos. Os primeiros livros escritos de ioga sobre conhecimento, sobre comunhão, têm mais de cinco mil anos. É um conhecimento milenar. Não é muito superficial, não. Eu tenho 15 anos de ioga e até hoje eu não sei nada (risos). Quanto mais eu estudo, vejo como é profundo e infinito esse caminho. E bem bonito. Na verdade é um caminho de autodescoberta.    
 
BN: Qual a maior resistência para aprender a meditação e acreditar mais nos benefícios dela?
 
PF: Acho que a grande dificuldade é o tempo. Muita gente diz: “ah, eu não consigo porque eu sou muito estressado, isso não é para mim”. E depois que vai, diz: “ah, era tão fácil assim?” A gente cria conceito de uma coisa e quando vai ver é outra. Têm jovens com 14 anos fazendo cursos da Arte de Viver. Um vai trazendo o outro porque “é para mim, é para o meu tempo”. Porque por mais que você se exercite, correndo, caminhando, que são exercícios importantes, a meditação vai trabalhar a sua mente, o seu espírito, e é por isso que as pessoas estão ficando depressivas. Elas não estão alimentando a própria alma.