"Essas faculdades têm que ser fechadas", diz presidente do Cremeb sobre resultados do Enamed
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), o médico Otávio Marambaia, avaliou os resultados dos cursos de medicina da Bahia no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Em entrevista ao Podcast Saúde 360°, apresentado por Christina Miranda e Stephanie Suerdieck e hospedado no Bahia Notícias, nesta terça-feira (20), o presidente da entidade afirmou que as faculdades abaixo da média “tem que ser fechadas”.
Segundo a publicação do Ministério da Educação nesta segunda-feira (19), apenas 4 das 25 instituições baianas de formação médica obtiveram nota máxima no Exame, que avalia os cursos com notas de 0 a 5. Outras 12 ficaram abaixo da média de avaliação, com notas 2 ou 1, indicando baixa eficiência na formação.
Otávio diz que "eu não acredito no Ministério da Educação, ele fez a prova esperando que o resultado fosse diferente, tanto que eles já estão dizendo que como foi a primeira [edição do Enade apenas para Medicina], nós vamos dar uma chance”.
Como representante de uma das principais entidades médicas do Brasil, ele destaca que medidas mais sérias devem ser tomadas. “Não é a primeira [prova], isso já estava previsto. É o tipo da situação não tem volta, essas faculdades têm que ser fechadas".
"Vamos lidar com vidas, lidar com o ser humano. É preciso que haja um profissional extremamente qualificado”, completa.
Durante a entrevista, ele explica que esse cenário já foi anunciado por especialistas anteriormente. "Como João no deserto, a gente vem pregando que a qualidade [dos cursos de Medicina no Brasil] é ruim, não tem como ser boa, porque você não tem condições de formar professores em quantidade suficiente para o número de estudantes que estão nessas faculdades criadas. Não tem como [suportar], não há mágica", afirma.
Marambaia garante que a humanização dos cursos é o maior déficit da formação médica atual. "Outra coisa é o campo de estágio. Eu aprendi a medicina com o paciente. Eu tinha que ler, tinha que estudar, mas era seu Zezinho, dona Joaninha que estavam no leito, na minha frente no ambulatório que me permitiam entender o ser humano. Sem isso, não tem como fazer medicina", sucinta.
O gestor ainda cita que a maior parte das faculdades e universidades reprovadas são particulares que não possuem estrutura física e técnica para suportar um hospital universitário ou campo próprio de estágio. "90% dessas escolas não tem campo de estágio próprio porque é caro. Fazer um hospital universitário é caro e esse pessoal visa lucro", completa.
