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"Essas faculdades têm que ser fechadas", diz presidente do Cremeb sobre resultados do Enamed

Por Eduarda Pinto

"Essas faculdades têm que ser fechadas", diz presidente do Cremeb sobre resultados do Enamed
Foto: Reprodução / YouTube

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), o médico Otávio Marambaia, avaliou os resultados dos cursos de medicina da Bahia no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Em entrevista ao Podcast Saúde 360°, apresentado por Christina Miranda e Stephanie Suerdieck e hospedado no Bahia Notícias, nesta terça-feira (20), o presidente da entidade afirmou que as faculdades abaixo da média “tem que ser fechadas”. 

 

Segundo a publicação do Ministério da Educação nesta segunda-feira (19), apenas 4 das 25 instituições baianas de formação médica obtiveram nota máxima no Exame, que avalia os cursos com notas de 0 a 5. Outras 12 ficaram abaixo da média de avaliação, com notas 2 ou 1, indicando baixa eficiência na formação. 

 

Otávio diz que "eu não acredito no Ministério da Educação, ele fez a prova esperando que o resultado fosse diferente, tanto que eles já estão dizendo que como foi a primeira [edição do Enade apenas para Medicina], nós vamos dar uma chance”. 

 

Como representante de uma das principais entidades médicas do Brasil, ele destaca que medidas mais sérias devem ser tomadas. “Não é a primeira [prova], isso já estava previsto. É o tipo da situação não tem volta, essas faculdades têm que ser fechadas". 

 

"Vamos lidar com vidas, lidar com o ser humano. É preciso que haja um profissional extremamente qualificado”, completa. 

 

Durante a entrevista, ele explica que esse cenário já foi anunciado por especialistas anteriormente. "Como João no deserto, a gente vem pregando que a qualidade [dos cursos de Medicina no Brasil] é ruim, não tem como ser boa, porque você não tem condições de formar professores em quantidade suficiente para o número de estudantes que estão nessas faculdades criadas. Não tem como [suportar], não há mágica", afirma. 

 

Marambaia garante que a humanização dos cursos é o maior déficit da formação médica atual. "Outra coisa é o campo de estágio. Eu aprendi a medicina com o paciente. Eu tinha que ler, tinha que estudar, mas era seu Zezinho, dona Joaninha que estavam no leito, na minha frente no ambulatório que me permitiam entender o ser humano. Sem isso, não tem como fazer medicina", sucinta. 

 

O gestor ainda cita que a maior parte das faculdades e universidades reprovadas são particulares que não possuem estrutura física e técnica para suportar um hospital universitário ou campo próprio de estágio. "90% dessas escolas não tem campo de estágio próprio porque é caro. Fazer um hospital universitário é caro e esse pessoal visa lucro", completa.