Viver Bem: Trabalho e isolamento - autocuidado é o ingrediente para balancear esta relação
Foto: Pixabay

As novas rotinas e jornadas de trabalho, mesmo quando adequadas aos requisitos de prevenção e cuidado durante a pandemia, podem exigir uma maior atenção à saúde, principalmente no que diz respeito às questões mentais. A reinvenção necessária para o momento acaba por interferir diretamente em fatores sociais, afetivos e psíquicos.

 

De acordo com a psicóloga do Sistema Hapvida, Marília Rios, é comum imaginar que o home office, por exemplo, é uma modalidade de trabalho mais fácil e confortável, porém, o modelo pode transmitir a sensação de que há pouca atividade sendo executada pelos profissionais, além de parecer solitário para algumas pessoas. “A rotina do trabalhador é cercada de uma grande interação social, e, durante o isolamento, é recomendável manter este contato ativo com os colegas através de ferramentas de comunicação”, destaca. Marília pontua ainda que para a execução das jornadas, espaços confortáveis e horários pré-definidos para as atividades e pausas ajudam na concentração e disciplina.

 

Linha de frente x Desemprego

Neste momento, duas realidades rondam as mentes dos trabalhadores: o cansaço dos que atuam na linha de frente da pandemia, como é o caso de profissionais da saúde, rodoviários, gestores públicos, entre outros; e uma parcela que infelizmente já foi acometida pelo desemprego. Nos dois casos, cuidar da saúde mental precisa ser uma prioridade.

 

“Quem atua nos serviços essenciais está recebendo maiores cargas de trabalho, o que acaba os deixando propensos ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout, que é o estado de esgotamento físico e mental”, detalha a especialista. Além do autocuidado, familiares e companheiros devem desempenhar um lado empático e ser um suporte de acolhimento. “Este é um momento para conexão, estabelecimento de parcerias. Deve-se evitar conflitos, incentivar a boa comunicação, pensar juntos em estratégias de manejo de estresse”, pontua. 

 

Uma pesquisa realizada em março deste ano pela Fundação Getúlio Vargas já apontava um cenário preocupante para o país no cenário econômico: o Brasil está na sua segunda maior queda do índice de emprego, ficando atrás apenas da ocorrida na crise de 2008. A perspectiva do cenário negativo acabou sendo intensificada com a crise social vivida com o coronavírus, mas, apesar de todo o desconforto causado por esses dados, Marília aponta que o momento deve ser observado por outra ótica, sobretudo pensando na busca de novas oportunidades profissionais.

 

Retomar contatos, investir em processos seletivos digitais, utilizar as redes sociais como ferramenta de busca e reforçar o currículo através de cursos e capacitações online e gratuitas estão entre sugestões de ações que a psicóloga orienta. Entretanto, a especialista frisa que para processos futuros de recolocação, é importante que a pessoa tenha paciência, perseverança e mantenha a autoestima.

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