Conheça os benefícios de abandonar filtros de beleza aumentada
Em uma era dominada pela perfeição digital, um movimento está ganhando força nas redes sociais: a remoção dos filtros de beleza criados por terceiros, prevista para acontecer nesta terça, 14 de janeiro. De acordo com a Meta, nos últimos anos, mais de 600 mil pessoas, de mais de 190 países, criaram filtros na plataforma. A decisão promete transformar a maneira como nos apresentamos online e como nos percebemos e nos aceitamos no mundo real.
Essa alteração pode trazer benefícios significativos para a saúde mental e a autoestima dos usuários. A mudança tende a promover a autoaceitação, diminuir a invalidação do eu natural e despadronizar a beleza. Quanto mais as pessoas fingem ser algo que não são, mais infelizes se tornam. A ausência desses filtros, portanto, incentiva um exercício diário contra a frustração da padronização da beleza.
Embora, muitas pessoas possam, inicialmente, resistir à mudança, acredito que aqueles que abraçarem a ideia de se verem como realmente são desfrutarão da liberdade plena. Além do autoencorajamento e do trabalho constante da sua imagem e autoestima, haverá uma maior empatia à noção de imperfeição.
Um dos problemas mais sérios associados ao uso excessivo de filtros é a dismorfia corporal. Barbosa esclarece. Diferente dos transtornos de imagem como bulimia e anorexia, a dismorfia corporal é uma noção distorcida de sua imagem devido ao que você tende a projetar de si por alguma imposição estética pessoal ou social. Isso pode levar à desvalorização da identidade real.
A restrição do uso de alguns efeitos de aparência podem trazer vantagens duradouras na saúde mental dos usuários. Acabam desenvolvendo uma empatia melhor e um maior entendimento sobre traços físicos e identitários de si e dos outros usuários das redes sociais. Isso pode levar à autovalidação e à diminuição da busca incessante por padronizar rostos e corpos. Para aqueles que desejam começar a compartilhar imagens mais autênticas, recomendo: iniciar com fotos em que se sintam mais confortáveis, escolher locais considerados bonitos para as postagens, focar no autocuidado em vez de intervenções cirúrgicas, cuidar mais do sorriso, da pele e outros aspectos naturais.
Para pessoas que já desenvolveram problemas de autoestima devido ao uso excessivo de filtros, sugiro um trabalho constante e progressivo de autoexposição. É importante compreender que a opinião das pessoas não te define e que há traços que são marcas dos povos aos quais sua herança genética faz parte. Esse movimento é um convite à autenticidade, à aceitação e à valorização da diversidade humana. Se observar é um exercício diário de sabedoria, afeto consigo mesmo e resistência. À medida que navegamos por essa nova era de autenticidade digital, podemos esperar uma sociedade mais empática, autoconsciente e, acima de tudo, real.
*George Barbosa é psicólogo da Hapvida Notredame Intermédica
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