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Entenda porque o AVC tem sintomas diferentes dependendo da pessoa

Por Eduardo Inacio Nascimento Andrade

Entenda porque o AVC tem sintomas diferentes dependendo da pessoa
Foto: Acervo pessoal

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como “derrame” , é a segunda principal causa de morte e incapacidade na população brasileira. Estima-se que cerca de dois milhões de brasileiros já sofreram um AVC, com 500 mil dessas pessoas vivendo com sequelas graves. Os sintomas de um acidente vascular cerebral, no entanto, variam de pessoa para pessoa, o que pode levar à demora para que pacientes procurem o atendimento médico. Mas porque os “derrames” variam tanto de caso para caso?

 

As diferentes áreas do cérebro recebem sangue com oxigênio e nutrientes através de 4 diferentes artérias (2 de cada lado). Depois de entrarem no crânio essas artérias se subdividem em vários outros vasos menores, cada um irrigando uma parte ainda menor e mais específica do cérebro. O AVC é causado pelo “entupimento” abrupto de uma dessas artérias, geralmente causado por um coágulo. Uma minoria dos AVCs é causada pelo rompimento de um desses vasos, o que gera uma hemorragia dentro do cérebro. Quando isso acontece, a área que era suprida por aquela artéria deixa de receber oxigênio e imediatamente para de funcionar. É como se em sua casa, por exemplo, você cortasse o cabo de eletricidade que sai do quadro de energia para a sala. Imediatamente a luz da sala se apagará.

 

Como em nosso cérebro cada região é responsável por uma função, os sintomas sentidos pelo paciente dependerá da área afetada. Imagine que a artéria que supre a parte do cérebro responsável por mexer a mão direita fique entupida. Naquele momento a pessoa terá uma perda da força da mão direita. Por sua vez, se a artéria que supre a área responsável pela fala for afetada, a pessoa terá dificuldade de usar ou entender palavras. As possibilidades de sintomas, por tanto, são inúmeras. Mas os AVCs em algumas regiões cerebrais são mais comuns que os outros. Sintomas como fraqueza ou dormência em somente um lado do corpo ou face, dificuldades de falar, entender ou escrever, “visão dupla”, ou tontura persistente devem levar a pessoa a procurar um pronto-socorro imediatamente. O mais importante é entender que os sintomas do “derrame” se instalam de maneira abrupta, ou seja, em pouquíssimos segundos.

 

Existem tratamentos disponíveis para pacientes que se apresentam dentro das primeiras horas ao hospital. Esses tratamentos visam dissolver o coágulo que está “entupindo a artéria” ou controlar a pressão arterial que normalmente está elevada em pacientes com sangramentos cerebrais. Após o tratamento imediato, quase todos os pacientes se beneficiam de terapia física e ocupacional, o que ajuda na recuperação da função perdida. Os pacientes tendem a ter melhoras dos sintomas iniciais durante os primeiros meses a um ano, mas sequelas duradouras são comuns. Além de focar na recuperação, o médico neurologista realiza uma investigação com exames complementares para entender qual a medicação mais adequada para evitar que um novo “derrame” ocorra. Esse tratamento de longo prazo em geral inclui remédios para controlar a pressão, diabetes, colesterol e em casos específicos medicamentos para afinar o sangue. Se você ou um familiar experimentarem um sintoma sugestivo de AVC, procure atendimento médico imediatamente. A maioria das cidades de grande porte do Brasil possuem centros capazes de tratar “derrames” cerebrais, inclusive no SUS. 

 

*Eduardo Inacio Nascimento Andrade é residente em neurologia na University of Massachusetts Chan Medical School

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias