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Como diagnosticar e tratar a labirintite e outras doenças que podem causar tontura, vertigem ou desequilíbrio?

Por André Apenburg

Como diagnosticar e tratar a labirintite e outras doenças que podem causar tontura, vertigem ou desequilíbrio?
Foto: Divulgação

Mais corretamente chamada de labirintopatia, a labirintite pode ser causada por doenças infecciosas, inflamatórias, tumorais, distúrbios circulatórios, traumas na cabeça, alterações genéticas, entre outros fatores, e seus sintomas mais comuns incluem vertigens, tonturas, desequilíbrio, perda de audição, sensação de ouvido cheio ou tampado, zumbido, e, em crises mais fortes, até mesmo náuseas, vômitos, suor excessivo e dificuldades de locomoção.

 

Porém, no senso comum, basta um sinal de perda de equilíbrio ou de tontura para que as pessoas, de forma geral, suspeitem de labirintite ou de um outro distúrbio do labirinto, região do ouvido responsável pela noção de equilíbrio e percepção espacial de posição do corpo. O termo labirintite é utilizado para diversas condições que causam tontura persistente, mas é usado de forma incorreta, pois o sufixo “ite” denota inflamação e nem sempre ela é a causadora desse sintoma.

 

Embora presentes nos quadros de labirintite e apesar de parecerem a mesma coisa à primeira vista, vertigem e tontura são manifestações diferentes e podem confundir as pessoas que sofrem deste distúrbio e dificultar o diagnóstico se não for bem explicada para o médico. A palavra vertigem vem do latim “vertere” e quer dizer “rodar”, consistindo na situação na qual a pessoa vê os objetos do ambiente girarem à sua volta e percebe seu corpo virar em relação ao espaço. A tontura, por sua vez, faz com que o indivíduo tenha a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, e a impressão de que vai cair.

 

Já o fato de sentir-se mal e ter a sensação de desmaio podem ser sintomas de queda dos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia), de pressão baixa (hipotensão) ou de uma perda temporária de consciência, e nada têm a ver com o labirinto. Esse quadro geralmente ocorre quando a pessoa passa muito tempo sem se alimentar ou fica muito tempo parada numa mesma posição.

 

Há também um quadro completo de sintomas que aparecem na Síndrome de Ménière, doença que traz crise vertiginosa, surdez, zumbido e sensação de pressão nos ouvido, muitas vezes associadas a alterações neurovegetativas, como náuseas, vômitos, mal-estar e diarreia, que chegam, inclusive, a impedir o paciente de se movimentar.

 

Existe ainda a vertigem postural paroxística benigna (VPPB), que é uma tontura relacionada a mudanças na posição da cabeça causada pela movimentação de pequenos cristais que, por diversos motivos, acabam se desprendendo e flutuando livremente no labirinto. Bastante comum, as VPPBs são crises de início repentino e inesperado e o seu tratamento inclui uma série de movimentos da cabeça para reposicionamento destes cristais.

 

Outras doenças afetam o equilíbrio e a coordenação de movimentos, como as neuronites ou neurites vestibulares causadas por processos inflamatórios no nervo e nos gânglios vestibulares e os neurinomas ou schwanomas, que são patologias tumorais do nervo auditivo.

 

E muitas pessoas possuem uma condição chamada de cinetose, sem ligações com as doenças vestibulares do labirinto, que é uma condição que acomete pessoas que, em determinadas movimentos e até de leitura em automóveis, barcos e aviões, sentem tonturas, náuseas e vômitos. Importante lembrar que o uso de álcool e medicamentos podem provocar alterações no labirinto e cerebelo, também provocando vertigem ou tontura.

 

Diagnóstico precoce é crucial para um tratamento eficaz e prevenir maiores danos

É por esta e outras situações que o diagnóstico precoce da causa da tontura é fundamental para uma ação terapêutica rápida e eficaz, que pode incluir medicamentos para aliviar os sintomas, reabilitação do sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio e coordenação de movimentos), e mudanças no estilo de vida que possam garantir o bem-estar dos pacientes. É muito importante procurar um especialista para uma avaliação detalhada e também para evitar o risco de quedas e complicações severas, principalmente se o paciente estiver na terceira idade. O tratamento geralmente é feito com labirintossupressores, medicamentos que suprimem a tontura através de sua ação no sistema nervoso, com vasodilatadores, que facilitam a circulação sanguínea na região do ouvido; e com substâncias que atuam nos sintomas paralelos, como os gastrointestinais, por exemplo.

 

A incidência da tontura é maior nos adultos e surge a partir dos 40 ou 50 anos, decorrente de alterações metabólicas e vasculares desta idade, como níveis aumentados de colesterol, triglicérides e ácido úrico. Esses fatores podem acarretar alterações dentro das artérias que diminuem a quantidade de sangue nas áreas do cérebro e do labirinto.

 

Dicas para lidar com as crises de equilíbrio:

·        Manter uma alimentação balanceada e refeições com intervalos de três horas, principalmente em indivíduos pré-diabéticos.

·        Evitar bebidas gasosas que contenham cafeína ou quinino, pois estas substâncias podem desencadear zumbido no ouvido.

·        Fazer exercício físico com preparo prévio adequado, ingerindo alimentos que mantenham a taxa de glicose no sangue em bom nível.

·        Dar atenção à saúde psíquica e emocional, pois o stress é gatilho para as crises.

·        Em caso de uma crise, é importante manter-se numa posição confortável e evitar movimentos, até que a crise cesse.

·        Procurar apoio médico especializado para obter o diagnóstico correto e o melhor tratamento.

·        Não dirigir nem operar equipamentos no momento da crise.

 

*André Apenburg é diretor médico da Otorrino Center, empresa que integra o Grupo H+Brasil, uma das maiores holdings de saúde com multiespecialidades do país

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias