Esclerose múltipla: prevenção e tratamento na visão integrativa
No Brasil, cerca de 40 mil pessoas convivem com o diagnóstico de Esclerose Múltipla, uma doença inflamatória crônica, de caráter autoimune em que as próprias células atacam a mielina, uma membrana que reveste os neurônios, causando destruição ou danos permanentes nos nervos, provocando uma paralisação motora e até dos sentidos a depender de sua intensidade. O diagnóstico dessa doença assombra adultos entre 20 e 40 anos, principalmente mulheres, estatisticamente mais afetadas pela doença.
O que muita gente não sabe é que a Esclerose Múltipla não se restringe à saúde dos neurônios. Problemas intestinais podem enfraquecer o sistema imunológico, facilitando o aparecimento da doença. Alimentação rica em sódio, açúcares e gordura contribui para o mal funcionamento do organismo, o que soa como um “convite” para doenças autoimunes a exemplo da Esclerose Múltipla. Manter níveis adequados de vitamina D e outras substâncias que ajudam na regulação intestinal é uma forma eficaz de prevenir a Esclerose Múltipla e muitas outras doenças.
As mulheres têm pelo menos duas a três vezes mais probabilidade de desenvolver Esclerose Múltipla. Isso se deve aos hormônios femininos, que têm uma regulação autoimune menos eficiente. Outra explicação é o fato das mulheres sofrerem mais com desregulação intestinal, o que desequilibra a harmonia em que o corpo deve permanecer.
Na sociedade imediatista em que vivemos, muitos pacientes querem encontrar um método ou alimento milagroso que evite o diagnóstico. A chave protetora contra a doença vem de uma rotina de alimentação equilibrada – com consumo maior de frutas e verduras na dieta - e comportamentos saudáveis, pautados em mecanismos de controle do estresse, banho de sol e uma apropriada dosagem de vitamina D, além da prática de exercícios físicos regulares, é claro.
Pacientes que receberam o diagnóstico traiçoeiro podem sofrer com sintomas diversos. Iniciando de maneira silenciosa, a Esclerose Múltipla pode se manifestar com sinais que variam a depender da quantidade e dos nervos afetados. Os sintomas mais comuns são formigamentos, fraqueza, rigidez ou espasmo muscular, tremor, cansaço excessivo, alterações no equilíbrio e na coordenação motora, entre outros. Como resultado do ataque das células ao próprio sistema nervoso, os nervos funcionam mais lentamente, o que pode retardar os movimentos do corpo e até a fala.
Exames regularmente e zelo pelo nosso templo sagrado, que é o corpo, são recomendações para quem quer manter-se longe desta doença. A boa noticia da Medicina Integrativa é constatar que o quadro pode ser revertido a depender do tempo de adoecimento e do grau de lesão que tenha sido imposto aos órgãos.
Convencionalmente, o tratamento é realizado com uso de corticoides, imunossupressores, imunomoduladores e outras medicações que acabam provocando muitos efeitos colaterais. No entanto, com o acompanhamento da medicina integrativa, a luta contra a doença pode se tornar mais orgânica. Doses muito altas de vitamina D, sob supervisão médica, assim como a reposição de outras vitaminas importantes para a mielinização, como a vitamina B12, e reeducação alimentar evitando produtos desencadeadores das reações autoimunes são medidas muito eficazes.
Pacientes que não aceitam o uso de medicamentos podem ser tratados de maneira integrativa com o uso dessa suplementação vitamínica. As medidas de precauções e de tratamento são, apesar de simples, muito práticas e de alta eficácia.
*Italo Almeida é neurologista, especialista em Medicina do Estilo de Vida e diretor médico da Neuro Integrada, clínica especializada em Medicina Integrativa.
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