Doença do olho seco: como tratar?
A síndrome do olho seco é uma doença crônica e silenciosa que afeta de 13% a 24% da população brasileira. Ela acontece quando os olhos não produzem lágrimas suficientes ou quando as lágrimas produzidas não têm a qualidade necessária para manter os olhos lubrificados. Entre os principais sintomas dessa condição, estão vermelhidão nos olhos, ardor, irritação, coceira, sensibilidade à luz e visão embaçada.
Além disso, a persistência dos sintomas pode incapacitar atividades do cotidiano e ser um alerta para um problema mais sério, por isso, identificar as causas e contar com acompanhamento é fundamental.
Já que diversas situações podem provocar a síndrome do olho seco, desde fatores externos, como o uso excessivo de dispositivos eletrônicos e ambientes com ar-condicionado, até alterações hormonais, poucas horas de sono e uso de alguns medicamentos. Era uma doença mais associada ao envelhecimento, no entanto, com o uso excessivo de telas por pessoas de todas as idades, essa condição é cada vez mais comum entre os jovens.
Por ser um problema diretamente ligado ao estilo de vida, a síndrome alterna períodos de melhora e de piora dos sintomas. Por isso, o tratamento do olho seco é individualizado de acordo com o tipo e a gravidade de cada caso. Parte do diagnóstico envolve compreender quais são os fatores que agravam o olho seco, com base nos hábitos do paciente, e fazer o tratamento adequado para repor a lubrificação.
Embora seja vital o uso de colírio lubrificante para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do indivíduo, é preciso ter cuidado com os riscos da automedicação. A lágrima é formada pela camada aquosa, produzida pelas glândulas lacrimais; a camada de mucina, produzida pelas células da conjuntiva, e a camada lipídica, mais externa, que controla a evaporação da lágrima.
Quando há a síndrome do olho seco, é preciso identificar qual camada da lágrima está em menor concentração para repor de forma adequada e individualizada. O uso de colírios errados pode piorar o quadro e o ressecamento prolongado da córnea pode levar a lesões, perfurações e infecções a longo prazo.
*Fernanda Fernandes é graduada em medicina pela Universidade Federal da Bahia, com Residência em Oftalmologia no Hospital das Clínicas (BA), onde fez Fellowship em Córnea e Doenças externas. Atua na oftalmologia geral com foco no tratamento de miopia, lentes de contato, córnea e doenças externas
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