Novembro Azul também conscientiza sobre a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira no mundo
Nem todo mundo sabe, mas o Novembro Azul vai além da conscientização do câncer de próstata. A cor também é utilizada no mês para chamar a atenção sobre o diabetes, enfermidade que acomete cerca de 17 milhões de brasileiros. A estimativa da incidência dessa doença para 2030 chega a 21,5 milhões de casos, segundo dados do Atlas da Federação Internacional de Diabetes. E nesse sentido vale o alerta! Uma das consequências da falta de controle de açúcar no sangue pode ser a retinopatia diabética – doença oftalmológica caracterizada por lesões na retina que podem levar à baixa visão ou à cegueira.
Tanto os pacientes com diabetes tipo 1, quanto aqueles com diabetes tipo 2, podem desenvolver a Retinopatia Diabética (RD). O tempo de doença é o principal fator de risco, sendo que 20 anos após o diagnóstico do diabetes, praticamente 100% das pessoas com diabetes tipo 1 e 50 a 80% daquelas com diabetes tipo 2 poderão apresentar a RD. A população masculina geralmente costuma não se cuidar com a mesma frequência que as mulheres; assim chamamos ainda mais a atenção deste grupo. A conscientização das pessoas em relação à prevenção e ao diagnóstico precoce é fundamental, uma vez que apenas com essas medidas é que conseguiremos tratar de uma maneira adequada e, assim, diminuir a cegueira pelo diabetes.
A retinopatia diabética é uma complicação bastante severa do diabetes, consequência do nível alto de açúcar no sangue, que provoca lesões nas paredes dos vasos que nutrem a retina. O aumento da permeabilidade vascular pode gerar acúmulo de líquido na retina (o edema), levando a um comprometimento da visão. Com o tempo, a doença se agrava e os vasos podem se proliferar e se romper, provocando hemorragias que podem estar associadas ou não ao descolamento da retina tradicional. O diabetes também pode causar o surgimento de vasos sanguíneos anormais na íris, ocasionando o temido glaucoma neovascular.
Nas fases iniciais da retinopatia diabética, não se percebe perda de visão, e isso é um problema, pois as pessoas procuram atendimento médico apenas em casos de retinopatia avançada, quando a situação muitas vezes já é irreversível. Uma vez instaladas, as alterações retinianas não se modificam significativamente com a normalização da glicemia, necessitando de tratamento oftalmológico específico, como a fotocoagulação a laser, as injeções intravítreas ou o tratamento cirúrgico.
Vale reforçar que o controle rigoroso do diabetes retarda o aparecimento da retinopatia e reduz a progressão da doença e suas complicações como as neuropatias e alterações cardiovasculares. A melhor maneira de prevenir a retinopatia é o controle adequado da glicemia. Dessa maneira, controla-se o diabetes e a chance de apresentar complicações como a retinopatia é menor.
As alterações da visão também podem ocorrer em indivíduos jovens, nessa faixa etária a incidência de diabetes do tipo 1 é mais frequente. Assim, a retinopatia pode aparecer mais precocemente e causar perda de visão. No entanto, estudos mais recentes apontam um aumento significativo de alterações na visão causadas por retinopatia diabética em jovens com diabetes tipo 2, causado por fatores genéticos juntamente com maus hábitos de vida, como consumo exagerado de açúcar, gordura, sedentarismo, sobrepeso ou obesidade, que provocam defeitos na produção e na ação da insulina no corpo.
Quando o assunto é diagnóstico, a doença pode ser detectada na avaliação oftalmológica básica. Exames como o mapeamento de retina e de fundo de olho devem ser realizados para detectar o seu surgimento.
Os exames oftalmológicos devem ser realizados anualmente em pessoas com ou sem diabetes. Já os pacientes que apresentam algum grau de retinopatia devem ser examinados com mais frequência e realizar tratamento específico. Em casos mais avançados, recomenda-se ainda mais atenção na tentativa de prevenir dano visual definitivo.
Quando o assunto é tratamento, em casos moderados, a terapia antiangiogênica, com ou sem laser, é a principal forma de tratar a doença. A fotocoagulação vem como uma coadjuvante. Nos avançados, a cirurgia vítreo-retiniana (vitrectomia via pars plana) deve ser realizada para a retirada do sangramento e/ou colocação da retina na posição correta.
Existe muita pesquisa na área do diabetes, pois o número de pessoas com a doença aumenta a cada ano. Com o auxílio da tecnologia, existem medicamentos diversos, eficazes e disponíveis no mercado. Mas, vale sempre destacar que o controle do diabetes é fundamental para impedir o aparecimento e a progressão da retinopatia.
*Frederico Faiçal é Médico oftalmologista da Oftalmoclin - clínica que integra o Grupo Opty na Bahia, Especialista em Catarata, Retina e Vítreo, Graduação em Medicina pela UFBA (2004), Título de especialista em Oftalmologia pela AMB E CBO (2008) e Fellow em Cirurgia de Retina e Vítreo no Hospital das Clínicas da UFMG (2008).
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