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Novembro Azul: A saúde mental como aliada para o autocuidado masculino

Por Lúcio Botelho

Novembro Azul: A saúde mental como aliada para o autocuidado masculino
Foto: Divulgação

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), todos os anos o câncer de próstata leva a óbito cerca de 15 mil homens cisgêneros, mulheres transexuais, travestis e pessoas não-binárias no Brasil. Por isso, a campanha Novembro Azul é fundamental para reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença, que é a segunda neoplasia maligna que mais afeta pessoas com próstata, atrás apenas do câncer de pulmão.
 
Entre os sintomas, estão dores ósseas, fraturas, dificuldade para caminhar, dificuldade para urinar e sangramento urinário. O diagnóstico precoce pode contribuir para aumentar as chances de cura e diminuir o risco de sequelas graves da doença, mas esbarra no comportamento cultural predominante entre a população masculina, geralmente pouco atenta ao cuidado com a saúde física e mental. 

 

O homem, infelizmente, ainda tem a questão do machismo muito presente, o que dificulta a importância do seu despertar para o autocuidado e a necessidade de prevenção. É cultural o universo masculino se cuidar menos do que as mulheres, afinal, para alguns, as questões físicas e emocionais, quando colocadas em evidência, são sinais de fraqueza masculina. Além disso, o acompanhamento psicológico também desempenha um papel fundamental entre os homens que já receberam o diagnóstico da doença. Ainda hoje, é muito comum que os pacientes queiram desistir do tratamento ou não acreditem na possibilidade de cura. 

 

Por isso, a intervenção psicoeducativa consegue ampliar o olhar de muitos pacientes, que acabam optando por aderir ao tratamento. Percebo que muitos homens têm medo de expor suas fragilidades, inseguranças e incertezas diante de um diagnóstico desses, principalmente no primeiro atendimento. No entanto, o acolhimento psicológico faz com que ele consiga se expressar, chorar, compartilhar seus receios e pedir ajuda. O tratamento pode gerar muitos comprometimentos físicos e emocionais, diante de possíveis sequelas que podem ocorrer, e por isso o acompanhamento é feito durante todo o processo, desde o recebimento do diagnóstico até o pós-operatório.

 

*Lúcio Botelho é psiquiatra e membro da Sociedade Internacional de Neuroestimulação, com larga experiência em transtornos mentais resistentes.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias