Cigarro eletrônico já causa lesões no ouvido, nariz e garganta
Apesar de toda a campanha contra o tabagismo, especialistas médicos vêm chamando a atenção para um novo vilão – o cigarro eletrônico – que causa o comprometimento de diversos órgãos do nosso corpo, como nariz, ouvido e garganta, além dos pulmões. A chegada do ‘vape’, como também é conhecido, tem atraído principalmente os adolescentes, pelo formato, novidade e falta de informação sobre o impacto nocivo que causa, e já é possível observar até mesmo uma geração mais velha que havia abandonado o cigarro convencional e retornar para versões atualizadas do mesmo vício.
Os dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) não são nada seguros, pois agregam muitas substâncias tóxicas, além da conhecida e viciante nicotina e até mesmo o cianeto de hidrogênio – gás utilizado para matar baratas, cupins e outras pragas -, que age bloqueando a recepção do oxigênio pelo sangue, quando utilizado em altas concentrações.
O que poucas pessoas sabem é que o uso do cigarro eletrônico já está sendo associado também a grandes estragos na região da garganta, isso porque as toxinas causam irritação na mucosa que reveste toda a região da faringe e laringe, provocando um processo inflamatório crônico que pode levar ao aparecimento de tumores na garganta. Os danos podem comprometer a fala, causar alterações de deglutição e motricidade de toda essa região, e isso inclui não somente o cigarro em sua versão eletrônica ou tradicional, mas também o charuto, cachimbo, narguilé e similares.
Os malefícios não se restringem somente à garganta, pois também ocasionam perda de audição, por conta da diminuição de fluxo sanguíneo na cóclea, órgão localizado na parte interna dos ouvidos e responsável por captar e transmitir os sons ao cérebro. Isso porque a combinação de substâncias químicas tóxicas altamente nocivas dificulta a oxigenação da cóclea, causando prejuízos irreversíveis às células do ouvido.
Se faringe, laringe e ouvido sofrem com o uso do cigarro, o mesmo ocorre também com o nariz, um dos órgãos mais afetados por estar próximo à fumaça. Esta exposição amplia a irritabilidade do órgão, aumenta as chances de inflamações e piora os sintomas clínicos de quem já tem rinite, por exemplo.
É de extrema importância buscar um otorrinolaringologista em casos de rouquidão ou alterações na voz, problemas na respiração e audição, para que o motivo real do problema seja identificado e tratado. Vale também um alerta para um outro tipo de câncer com alta prevalência em fumantes (e também em pessoas que consomem muita bebida alcoólica), como o de boca, que atinge os lábios e o interior da cavidade oral, incluindo língua, gengiva e bochechas. No longo prazo, o tabagismo pode ainda gerar halitose (mau hálito), que pode ser agravada quando a higiene bucal não é realizada de forma adequada ou devido a causas sistêmicas associadas, como refluxo e doenças pulmonares e de fígado.
Considerado um vício de cunho social, o tabagismo é uma doença causada pela dependência física e psicológica à nicotina, que afeta não apenas a saúde do fumante, mas também a das pessoas que convivem com ele. Este hábito tão agressivo ao corpo humano pode desencadear alergias respiratórias, problemas otorrinolaringológicos, dores de cabeça e irritações nos olhos, entre outros males. Os fumantes ainda são mais propensos a, pelo menos, 50 patologias diferentes, como doenças cardiovasculares e câncer, por exemplo. Frente a todos esses danos, os médicos reforçam que a discussão sobre o tabagismo não pode cessar e que é preciso conscientizar a população cada vez mais, pois é notável um crescente aumento do hábito de fumar em pessoas mais jovens – num fenômeno que se observa agora com mais nitidez por causa do modismo do cigarro eletrônico.
*André Apenburg, otorrinolaringologista e diretor médico da Otorrino Center, empresa que integra o Grupo H+Brasil, uma das maiores holdings de saúde com multiespecialidades do país
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