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Genética e a necessidade nutricional: personalizando o plano alimentar

Por Mayara Miranda

Genética e a necessidade nutricional: personalizando o plano alimentar
Foto: Arquivo Pessoal

A genética tem papel fundamental na forma como nosso corpo reage a fatores externos, incluindo a alimentação. Isso porque o DNA não está associado apenas às características físicas ou à predisposição a doenças hereditárias, impactando também sobre como o corpo reage a determinadas exposições. Traçar estratégias mais precisas e de maior adesão para quem busca estabelecer uma rotina alimentar saudável requer, portanto, a compreensão do genótipo (versão de genes que cada pessoa carrega) de cada paciente. 

 

Os micronutrientes, por exemplo, podem sofrer influência da genética, visto que alguns genes agem na absorção, no transporte e na metabolização deles. É o que acontece com as vitaminas A e D quando variantes genéticas nos genes responsáveis pela produção de enzimas - que estão envolvidas no transporte e metabolismo dessas vitaminas - impactam na eficiência da absorção ou na maneira como elas são utilizadas pelo organismo. 

 

Isso fica evidente quando lembramos que uma das principais funções da vitamina D é facilitar a absorção intestinal do cálcio, ajudando no transporte ativo desse mineral à corrente sanguínea. Sendo assim, mulheres que apresentam polimorfismos (variação genética comum presente em cerca de 1% da população) para vitamina D, por exemplo, devem ter atenção às taxas de cálcio, bem como à repercussão delas no organismo. 

 

O que muitos podem não saber, é que o paladar e as escolhas alimentares também sofrem influência da genética. E isso não pode ser deixado de lado na hora de planejar um plano alimentar que atenda à necessidade nutricional do indivíduo, de forma personalizada. 

 

A cafeína, vale ressaltar, tem diversas funções no nosso organismo e pode, dependendo da atividade, melhorar o desempenho esportivo.  De acordo com a nossa genética, podemos ser metabolizadores rápidos ou lentos de cafeína e mais ou menos sensíveis a ela.

 

A genética é um dos fatores que também contribui para o aparecimento das intolerâncias alimentares. É o que ocorre com a intolerância à lactose, a mais comum em todo o mundo,  que  pode ser congênita, primária ou secundária.

 

A congênita: é extremamente rara e se manifesta no recém-nascido, sendo caracterizada pela ausência total da atividade da lactase. Já a primária, é forma mais frequente em que produção de lactase vai diminuindo com o passar dos anos – também tem um componente genético importante. E a secundária, por sua vez, ocorre em razão de lesões da mucosa intestinal, o que reduz a presença da enzima no organismo. 

 

É importante ressaltar que a incidência dessas alterações genéticas pode variar entre as populações e que a genética não é o único fator que determina a resposta do corpo à nutrição. A dieta, o estilo de vida e outros fatores ambientais e comportamentais também influenciam. 

 

Assim, é fundamental conhecer as particularidades de cada paciente para fazer um rastreamento mais próximo, evitar as deficiências nutricionais e adequar a alimentação de forma personalizada. Conversar com uma nutricionista e ter uma atenção multidisciplinar é cada vez mais importante para prevenção e cuidado com foco em saúde e bem-estar. 

 

*Mayara Miranda é doutora em ciências dos alimentos e aconselhadora Genética do Grupo Fleury, detentor da Diagnoson a+ na Bahia e da Sommos DNA.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias.