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Conscientização e prevenção para superar os desafios da menopausa

Por Thais Jorge

Conscientização e prevenção para superar os desafios da menopausa
Foto: Divulgação

Conhecido como o período de transição entre a fase reprodutiva e a não-reprodutiva da mulher, o climatério costuma se manifestar entre 45 e 55 anos, e é dividido em três momentos: a pré-menopausa, a menopausa e a pós-menopausa. Os primeiros sinais são a queda da produção dos hormônios estrogênio e progesterona, além da irregularidade da menstruação. Outros sintomas que podem ser percebidos com frequência são irritabilidade, variações de humor, insônia, lapsos de memória, ondas de calor e a diminuição da libido.

 

Ainda vistas como tabus pela sociedade, essas transformações pelas quais as mulheres passam vêm sendo abordadas com frequência cada vez maior pela mídia, reforçadas pelas experiências compartilhadas por celebridades e, também, pelas pesquisas que apontam o aumento da longevidade feminina no Brasil e no mundo: levantamento da North American Menopause Society mostra que 1,2 bilhão de mulheres vão atravessar a menopausa em todo o planeta até o ano 2030; entre as brasileiras, a expectativa de vida das mulheres aumentou para aproximadamente 80 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, vale ressaltar que o período pós-menopausa – que começa um ano após o último ciclo menstrual –, passa a ocupar 1/3 da vida, em média. São anos que podem e merecem ser vividos de maneira plena por todas.

 

A medicina vem evoluindo para mitigar os efeitos mais severos desse período e contribuir nesse processo. Com o avanço da ciência, há boas opções de terapias para amenizar os sintomas, como a reposição hormonal (TRH), disponível em forma de gel, além de adesivos e comprimidos que são prescritos caso a caso. O novo ciclo traz também cuidados adicionais, visto que o envelhecimento dos ovários e as alterações metabólica e hormonal podem implicar em algumas consequências à saúde cardiovascular.

 

Um aspecto fundamental para uma vida longeva com qualidade está na prevenção. Nesse ponto, destaco a importância de realizar exames e abrir diálogo transparente com um médico de confiança. Além do auxílio de profissionais de diferentes especialidades, como a ginecologia, endocrinologia e até mesmo a cardiologia, devemos cultivar bons hábitos de sono, ter uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo e o álcool em excesso, além de incluir atividades físicas na rotina. 

 

Ter uma rede de apoio e troca de experiências é outro importante aliado. É válido conversar com outras mulheres que estejam passando por esse período. Todos esses aspectos fazem parte do autocuidado, uma atitude valiosa para a conquista da longevidade saudável.

 

Mas, tão essencial quanto os avanços nas formas de tratamento, é a conscientização em relação ao tema e à forma como o enfrentamos. O preconceito em relação ao envelhecimento feminino é um fator que interfere diretamente na desinformação, e precisa ser superado. Muitas mulheres se sentem improdutivas e até associam o climatério à doença em algumas culturas. Precisamos olhar para o processo de maturidade feminino e para essa fase da vida como parte de um caminho natural.

 

O climatério não é o fim, mas o começo de uma nova fase. Cada mulher vai vivenciar os anos do climatério de forma distinta, com mais ou menos sintomas. Porém, é fundamental aceitar e entender esse período com consciência e respeito, uma vez que os efeitos, sem o devido acompanhamento, podem impactar a vida pessoal e profissional. O que todas nós desejamos é passar por esse processo biológico da forma mais tranquila, e com o maior acolhimento possível.

 

*Thais Jorge é Médica e Diretora Bradesco Saúde

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias