Caso Paulinha Abelha: Não é porque é natural que não faz mal
Na última edição do Domingo Espetacular, foi divulgado pela Record um laudo médico feito após a morte da cantora Paulinha Abelha, onde constam como 4 as causas de morte pela artista: meningoencefalite, hipertensão craniana, insuficiência renal aguda e hepatite. As duas primeiras causas estão relacionadas e estão em investigação etiológica, ou seja, ainda não se sabe exatamente o que levou a este quadro. Mas o outro documento mostrado na reportagem pode elucidar as duas últimas causas: o laudo toxicológico mostrou 16 substâncias circulantes no corpo de Paulinha.
Dentre as substâncias prescritas, encontram-se anfetaminas (medicamentos usados para tratamento de doenças como Transtorno do déficit de atenção, TDAH, que tem como um dos principais efeitos adversos a falta de apetite), antidepressivo, estimulantes, medicamentos supostamente para melhorar a memória e uma fórmula com uma erva asiática chamada garcinia cambogia, conhecidamente hepatotóxica, que pode levar exatamente ao quadro de hepatite apresentado por Paulinha, que tem como repercussão comum a insuficiência renal.
De acordo com as informações divulgadas, a cantora estava em uso de uma fórmula prescrita por uma nutróloga visando emagrecimento, e tal formulação muito provavelmente foi a responsável pelo quadro de hepatite e insuficiência renal apresentado pela paciente. Não é a primeira vez que a busca incessante pelo corpo considerado “perfeito” faz vítimas. E o pior: muitas pessoas sequer sabem exatamente quais substâncias estão nestas fórmulas “milagrosas”, muito menos a gravidade dos eventos adversos que tais medicações poderiam gerar, como a morte.
Não é porque é “natural” que não vai fazer mal. Já dizia uma professora minha que até veneno de cobra é natural. Por isso, fica o alerta para a população: não existe fórmula mágica para emagrecer. Desconfie sempre de soluções milagrosas para o que o mundo inteiro está atrás e estudando. Digo com toda certeza a vocês que existe sim caminho para o emagrecimento saudável, que conta com acompanhamento médico especializado (clínico geral ou endocrinologista, por exemplo), nutricionista e uma dieta balanceada e exercício físico acompanhado por um educador físico. Qualquer outra forma de emagrecimento gera malefícios no curto ou médio prazos, como aconteceu com a cantora da banda Calcinha Preta.
*Renata Carriço é Clínica Geral e atua na área de Diagnóstico Diferencial em Recife-PE
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