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Sexta, 26 de Março de 2021 - 11:00

Por que as mulheres têm mais doenças oculares do que homens?

por Mônica Mayoral

Por que as mulheres têm mais doenças oculares do que homens?
Foto: Divulgação

Março é o mês para celebrar as mulheres e suas conquistas, mas também é a oportunidade para falar sobre saúde, incluindo os cuidados com os olhos. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), estudos indicam que as mulheres em todas as regiões do mundo e de todas as idades têm um risco significantemente maior de deficiência visual do que os homens, principalmente por causa de sua expectativa de vida maior e, nas sociedades mais pobres, por causa da falta de acesso aos serviços médicos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que duas a cada três pessoas cegas no mundo são mulheres, ou seja, 27 milhões de deficientes visuais totais.

 

Os motivos para esse problema são variados, como aponta a OMS: questões socioeconômicas, como as diferenças educacionais (falta de informações sobre tratamentos e a cirurgia de catarata, por exemplo), e a disparidade financeira, obstáculo para a aquisição de medicamentos, lentes corretivas e o acesso a unidades de saúde, muitas vezes distantes do local de residência.

 

Os problemas oculares que afetam mais mulheres do que homens são diversos, como a degeneração macular relacionada à idade, retinopatia diabética, olho seco, glaucoma, catarata, doenças neuroftalmológicas, doenças oculares inflamatórias e as relacionadas ao fluxo sanguíneo na região dos olhos.             

 

Apesar de estudadas, são pouco conhecidas as causas biológicas para a maior suscetibilidade feminina a essas doenças, o que dificulta a implementação de formas para reduzir as disparidades de gênero quando o assunto é saúde ocular. O que é notório é que a interação entre hormônios sexuais, genética, fatores ambientais e o sistema imunológico está ligada à ocorrência de afecções sistêmicas – tais como a esclerose múltipla, doenças reumáticas, diabetes e hipertensão –, que podem acarretar consequências graves à visão.         

 

A maior expectativa de vida da mulher, que tem crescido sistematicamente, também é um fator a ser considerado. Problemas como a degeneração macular relacionada à idade e a síndrome do olho seco são mais presentes em mulheres, especialmente após a menopausa, com as alterações hormonais. Por isso, é fundamental as mulheres realizarem consultas preventivamente e ao menor sinal de alterações na visão.     

 

Para as gestantes – A gravidez traz um período de mudanças emocionais, físicas e psicológicas nas mulheres. E com a visão não é diferente. A retenção de líquido no organismo originada pela gestação, causa tanto o inchaço nos pés, como também pode alterar o formato e a espessura da córnea e do cristalino, ocasionando mudanças refracionais, ou seja, de grau de visão. Também são comuns sintomas como coceira, fotofobia, embaçamento, pontos brilhantes ou manchas escuras na visão, e olho seco. 

 

A pré-eclâmpsia — aumento da pressão arterial que eventualmente ocorre a partir da 20ª semana em aproximadamente 5% das grávidas — e o diabetes gestacional também podem acarretar em perdas graves de visão. O quadro geralmente regride logo após o parto, mas existe a possibilidade de sequelas.

 

Essa hipertensão arterial pode levar ao comprometimento dos vasos sanguíneos da retina, com surgimento de hemorragias, edema e consequentes sintomas de fotopsias (pontos brilhantes na visão), manchas escuras, visão embaçada e visão dupla. Trata-se de um problema grave, cuja detecção precoce e tratamento são fundamentais para evitar a progressão para a forma mais grave da doença (eclâmpsia), que pode causar epilepsia e ameaçar a vida da mãe e do bebê. O acompanhamento oftalmológico durante o pré-natal é fundamental, principalmente para as mulheres que já tenham condições pré-existentes, como tumores, diabetes, glaucomas ou mesmo uveítes.

 

Cuidados – Não importa a idade ou fase da vida. Além de consultas anuais ao oftalmologista, manter um estilo de vida saudável é o caminho para preservar a saúde dos olhos. Não fumar, manter uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente e usar óculos com proteção ultravioleta é o que recomendo às mulheres para preservarem a visão.

 

*Mônica Mayoral é Oftalmologista do DayHORC, tem Graduação pela Universidade Federal da Bahia (2002), Especialização em Glaucoma e Catarata no Complexo Hospitalar Padre Bento - Guarulhos (SP) e Especialização em ultrassom e neuro-oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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