Automedicação na Pandemia: entenda os perigos
Menina, hoje não vim comprar minha sinvastatina porque ainda tenho em casa, deixa eu aproveitar que você é Farmacêutica... Acho que estou com COVID-19! Estou sentindo náusea, diarreia, dor abdominal, falta de disposição, de apetite, vômitos, tontura. Não é possível, eu tomei a Ivermectina que minha vizinha indicou pra prevenir o coronavírus.
Esta é uma cena comum nas drogarias. Diariamente, os Farmacêuticos se deparam com situações aparentemente normais, mas são potencialmente graves. Na situação citada acima, a paciente faz uso de sinvastatina (medicamento utilizado para controlar o colesterol), mas começou a fazer automedicação com Ivermectina. Todos os sintomas que ela está sentindo são de COVID-19, mas o exame deu negativo. O que essa paciente não sabe é que a sinvastatina aumenta o efeito da Ivermectina, que, quando usada sozinha, já gera todas as reações adversas que ela estava sentindo e achando que era COVID. Uau! Você sabia que a Ivermectina pode provocar essas reações? Esse é só um exemplo de vários.
Ainda não existem estudos concretos que comprovem o efeito de alguns medicamentos no combate à COVID 19, e, quando estes são usados nos hospitais, o Farmacêutico, junto com o médico, pode alterar a dose do medicamento de acordo com a necessidade individual de cada paciente, considerando as doenças que ele já tinha e os medicamentos que ele fazia uso antes de contrair o coronavírus.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estima que 18% das mortes por envenenamento no Brasil podem ser por automedicação. Você conhece alguém que já esteve na farmácia e comprou um Tylenol para febre e um “chazinho” Vick para gripe? Imagino que sim! Esta é uma automedicação clássica com grandes riscos, pois os dois medicamentos possuem a mesma substância - o paracetamol - que em grandes doses, pode ocasionar problemas no fígado.
A medicação por conta própria pode ter um risco muito grande, pois alguns medicamentos interagem entre si, podendo anular o efeito um do outro ou potencializar a sua ação, ocasionando outros problemas de saúde. Caso você precise utilizar um medicamento que não foi prescrito pelo médico, consulte um Farmacêutico e ele fará uma anamnese e as indicações dentro do arsenal terapêutico que lhe é possível, considerando sua saúde de forma individualizada.
Um bom profissional Farmacêutico está sempre se atualizando e respeita também a ética médica, entendendo seus limites de atuação. Por isso, conheça bem o seu Farmacêutico e estabeleça uma relação próxima com ele na farmácia e/ou drogaria da sua confiança.
*Wagner Bramont é analista da Escola Farmacêutica da Drogaria São Paulo
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